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    Economia

    Produção de Pimenta em Alagoas Ganha Espaço no Mercado Nacional e Internacional

    9 de agosto de 2026
    Produção de Pimenta em Alagoas Ganha Espaço no Mercado Nacional e Internacional
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    Expansão da produção de pimenta em Alagoas

    A produção de pimentas em Alagoas tem se destacado entre pequenos e médios agricultores, abastecendo indústrias regionais e conquistando mercados internacionais. Cultivadas principalmente no Agreste, Zona da Mata e Litoral Norte, as variedades de malagueta e pimenta-do-reino combinam técnicas de irrigação, assistência técnica e oportunidades de exportação para ampliar sua presença na economia rural do estado.

    Essa expansão ocorre tanto em propriedades focadas no consumo interno quanto entre produtores que já realizam embarques para países da Ásia e Europa. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2024, Alagoas produziu 436 toneladas de pimenta-do-reino, concentradas especialmente no Agreste e em municípios da Zona da Mata e Litoral Norte. O município de Novo Lino lidera a produção estadual, conforme o IBGE.

    Produtor de União dos Palmares fortalece exportação

    Em União dos Palmares, o produtor Aluysio Riguetti cultiva pimenta-do-reino na fazenda Sete Léguas desde 1998. Inicialmente com 60 hectares, a área dedicada à pimenta diminuiu para 14 hectares após a venda de parte da terra e retomada em 2021. No ano passado, a produção atingiu 60 toneladas, com exportações realizadas diretamente para Alemanha, Espanha e Índia.

    Em 2024, um dos embarques mais expressivos destinou 56 toneladas para a Índia, divididas em dois contêineres de 28 toneladas. Desse total, 75% pertencem ao Grupo CAPA, de Arapiraca, e 25% à produção de Riguetti. Para este ano, o produtor planeja direcionar sua produção para o mercado nacional, atendendo a contratos com centrais de abastecimento.

    A marca Preta 52, de Riguetti, é comercializada em pequenos vidros com tampa moedor, vendida em supermercados e lojas de conveniência. O nome remete ao valor histórico da pimenta durante as grandes navegações, quando um saco de 50 quilos equivalia a 52 quilos de ouro. A safra ocorre uma vez ao ano, entre novembro e fevereiro.

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    Fonte: gpsbrasilia.com.br

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    Fonte: soudesaoluis.com.br

    Produção de pimenta malagueta cresce entre pequenos produtores

    Alagoas produz em média 398 toneladas de pimenta malagueta, concentradas principalmente no Agreste e na Zona da Mata. Limoeiro de Anadia é o principal município produtor dessa variedade, segundo dados do IBGE.

    No município de Lagoa da Canoa, o produtor José Ailton cultiva pimenta malagueta há quatro anos. Sua plantação é totalmente irrigada e conta com quase oito mil pés distribuídos em cerca de três mil metros quadrados. Atualmente, ele consegue colher uma média de 600 quilos por mês, atendendo indústrias regionais com contrato fixo. O produtor também planeja ampliar a área e emprega três colaboradores na atividade.

    O ciclo produtivo da pimenta malagueta na plantação de José Ailton dura cerca de 90 dias entre o plantio e a colheita, o que permite múltiplos plantios ao longo do ano. Ele recebe orientações técnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece capacitações para manejo e processos produtivos.

    Assistência técnica fortalece produção sustentável

    Luana Torres, superintendente adjunta do Senar Alagoas, destaca o trabalho dos técnicos para garantir eficiência, segurança e sustentabilidade na produção de pimenta. A assistência técnica e gerencial orienta os produtores não apenas no manejo da cultura, mas também no planejamento da propriedade, incluindo práticas como rotação de culturas, análise de solo e organização dos insumos.

    Essas ações contribuem para reduzir riscos fitossanitários, preservar a fertilidade do solo e aumentar a rentabilidade dos agricultores, fortalecendo o setor de pimentas em Alagoas.

    Acordo com a União Europeia amplia oportunidades de exportação

    A produção de pimenta em Alagoas é vista como uma oportunidade para estreitar relações comerciais com países europeus. Um estudo do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA) aponta que a pimenta-do-reino produzida no estado deve ganhar competitividade com o Acordo MERCOSUL-União Europeia, que prevê a eliminação imediata de tarifas para pimentas secas ou trituradas (SH4 0904), atualmente tributadas em 4%.

    Em 2025, Alagoas exportou US$ 89,9 milhões e importou US$ 61,2 milhões, com destaque para açúcar, tabaco e cabos de fibra óptica entre os principais produtos exportados para Espanha, Croácia e Portugal. As importações incluíram fertilizantes, vinho e azeite de oliva, provenientes de Países Baixos, Alemanha e Itália.

    O estudo avaliou o potencial de internacionalização de setores emergentes no estado, cruzando dados da produção industrial com as regras de redução tarifária do acordo. A análise considerou classificações do Sistema Harmonizado (SH4) e da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além das categorias de redução gradual ou eliminação imediata de tarifas e cotas específicas.

    Essa identificação de oportunidades reforça a capacidade exportadora de Alagoas, especialmente em produtos como a pimenta, que apresentam potencial para conquistar novos mercados internacionais.

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