Festival Arte da Palavra destaca a riqueza cultural em Arapiraca
O Festival Arte da Palavra (Farpa) 2026 encerrou sua programação na noite de quinta-feira, 5, em Arapiraca, no Agreste alagoano, deixando como legado a valorização da diversidade cultural da literatura brasileira. Durante três dias, o Sesc Arapiraca foi palco de encontros, apresentações, debates e manifestações artísticas que ampliaram o diálogo entre escritores, artistas e o público, mostrando que a literatura vai muito além das páginas dos livros.
Mais do que apresentações, o festival promoveu um espaço de convivência e intercâmbio entre profissionais da cultura de várias regiões do país. Diogo Borges, analista de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, ressaltou que essa troca direta é um dos pontos fortes do Farpa. “O festival cria um ambiente onde artistas, público e equipes do Sesc convivem intensamente. Eles não só apresentam seus trabalhos no palco, participam de debates e saraus, como também prestam atenção às outras manifestações literárias como público”, explicou.
A diversidade cultural em evidência no último dia de festival
Na quinta-feira, a programação manteve o clima de integração que marcou todo o festival. No Sesc Arapiraca, o público acompanhou contações de histórias como “Nem muito longe, nem muito perto daqui”, por Camila Costa (RJ), e “Semeando histórias originárias”, com Anélita Nuñez e Jeff Nefferkturu (SC). A cultura popular ganhou destaque com apresentações de cordel, reisado e repente, conduzidas pelo Poeta Beiju (PI) e Mago Veio (AL), aproximando tradições orais distintas.
À noite, a Vila Vinil recebeu o Sarau do Farpa, reunindo artistas como Elinilson Soares e Lucas Sol (BA), Tácio Pimenta (TO), Larissa Campos (MT), Naty Barros (AL), Ira (ES) e Carla Guerson (ES). A mistura de trajetórias e sotaques fez do encontro uma grande celebração literária. Para encerrar, a cantora alagoana Fernanda Guimarães apresentou um show que celebrou a música e o prazer de estar junto, um valor central do festival.
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Farpa e o circuito nacional Arte da Palavra
Priscila Branco, analista de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, destacou a abrangência nacional do projeto. O Arte da Palavra é o maior circuito literário do Brasil, promovendo a circulação de autores por vários estados. “O Farpa representa uma imersão nas experiências do circuito, reunindo artistas e escritores que circularam pelo país ao longo de 2026”, afirmou.
Segundo Luann Veiga, gerente de Cultura do Sesc Alagoas, o festival é a culminância de um projeto que amplia o acesso da população à literatura em suas múltiplas formas. Ele destacou que o evento fortalece o contato com a cultura tanto para o público geral quanto para os trabalhadores do comércio e fazedores de cultura. “O Festival Arte da Palavra possibilita esse encontro com várias formas da literatura, mostrando que ela vai muito além dos livros”, disse.
Contação de histórias e o valor da diversidade cultural
A contação “Semeando histórias originárias” aproximou o público de narrativas e identidades diversas, conduzidas por Anélita Nuñez, de origem guarani, e Jeff Nefferkturu, de Cabo Verde. Anélita compartilhou sua experiência: “Estou encantada com esse evento, que me nutriu ao ver tantos artistas incríveis. Fico feliz por participar dessa diversidade de vozes e temperos”. Jeff ressaltou o valor do intercâmbio cultural e linguístico, afirmando ser uma honra vivenciar essa troca no vasto Brasil.
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A literatura como ponte entre territórios e gerações
Ao ocupar diferentes espaços de Arapiraca com apresentações, bate-papos, saraus e manifestações da cultura popular, o Farpa demonstrou que a literatura extrapola formatos e ambientes convencionais. Ela se manifesta na oralidade, nas tradições populares e nas memórias que atravessam gerações e fronteiras.
A escritora baiana Karou Dias destacou a importância de levar a cultura para além dos grandes centros. “Venho do interior e é fundamental encerrar esse ciclo aqui, valorizando a cultura local. Temos muita coisa bonita que não pode ser esquecida ou deixada de lado”, disse.
A participação de artistas de diversas regiões reforça a necessidade de descentralizar as políticas culturais e promover a circulação da produção artística nacional. Em três dias, Arapiraca virou ponto de encontro para diferentes gerações e expressões culturais. O encerramento na Vila Vinil, entre poesia, música e celebração, traduziu o propósito principal do Farpa: fazer da cultura um espaço de troca, pertencimento e construção coletiva.

