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    Cultura

    A Cultura como Ferramenta Política na 25ª Feira da Reforma Agrária em Alagoas

    10 de setembro de 2026
    A Cultura como Ferramenta Política na 25ª Feira da Reforma Agrária em Alagoas
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    Seminário inaugura debate sobre cultura e política

    O seminário “A Cultura na Batalha das Ideias” marcou o início da programação da 25ª Feira da Reforma Agrária em Alagoas, realizada no Auditório dos Urbanitários. O encontro reuniu artistas e militantes para discutir a cultura como instrumento de posicionamento político e de resistência contra padrões e estereótipos sociais.

    Participaram da mesa a atriz e cantora Juliana Linhares; Bruno Melo, membro da Quadrilha Junina Amanhecer no Sertão; Ana Antunes, atriz da Escola Popular de Teatro Político de Alagoas; e Juliana Bonassa, militante do Movimento Sem Terra em São Paulo. Cada um compartilhou suas experiências na produção de cultura popular em seus territórios, evidenciando como essas iniciativas fomentam diálogos e transformações.

    O MST e a construção de um teatro político em Alagoas

    Para o MST, a disputa por um projeto de sociedade envolve não apenas terra ou economia, mas também a conquista da cultura e da imaginação. Em Alagoas, esse entendimento levou à criação da Escola Popular de Teatro Político em 2020, um espaço onde a arte se tornou ferramenta de formação, reflexão crítica e resistência popular.

    A atriz e militante Ana Antunes relatou o desafio de iniciar o primeiro curso de teatro popular durante a pandemia, realizado inicialmente de forma online. “Organizamos 16 cidades e 24 coletivos para promover essa experiência, mobilizando centenas de pessoas”, contou. Em 2021, com a flexibilização das atividades, foram realizadas 18 oficinas que reuniram 220 participantes, culminando em uma mostra final assistida por 400 pessoas em plataforma digital.

    Essa iniciativa do MST, em parceria com outros coletivos, construiu uma rede cultural que conecta municípios alagoanos, demonstrando o papel fundamental da formação artística para a consolidação da luta social e a construção de novas consciências.

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    Fonte: diretodecaxias.com.br

    Cultura como instrumento de desconstrução de estigmas

    Além do entretenimento, a arte popular atua como poderosa ferramenta para derrubar preconceitos e barreiras invisíveis. Enquanto discursos de ódio buscam limitar identidades, a produção artística resgata a complexidade e humanidade de grupos historicamente marginalizados, trazendo à tona pautas muitas vezes negligenciadas pela política tradicional.

    Bruno Melo, da Quadrilha Junina Amanhecer no Sertão, compartilhou sua experiência em romper com estereótipos ligados às quadrilhas juninas, que tradicionalmente abordam santos e colheitas. “Percebemos que podíamos inserir temas mais profundos. Em 2018, falamos sobre meritocracia e, em 2025, abordamos a violência contra a mulher, um tema que ampliou a projeção da quadrilha”, explicou. Essa abordagem demonstra como a cultura pode ser um meio eficaz para denunciar problemas sociais que atingem minorias.

    Cultura feita com paciência e rebeldia

    Para Juliana Bonassa, a cultura é uma forma de narrar épocas de opressão, exigindo coragem e discernimento na escolha dos temas. Ela destacou que, para o MST, a cultura é política e deve ser organizada com base em uma visão crítica da história, livre de colonialismos e estereótipos.

    “Conhecer a história sob uma perspectiva não estereotipada é essencial para construir uma cultura que dialogue com essas questões”, afirmou. Essa reflexão reforça a responsabilidade dos artistas e movimentos sociais na promoção de uma cultura que desconstrua pensamentos e amplie o protagonismo das minorias na batalha das ideias.

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    Fonte: soudebh.com.br

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    Fonte: soudejuazeiro.com.br

    Ser artista é um ato político

    A cantora e atriz Juliana Linhares relatou como sua trajetória artística se tornou um exercício de resistência ao enfrentar limitações impostas pelos estereótipos sobre a arte nordestina. “Muitas vezes, minha voz foi questionada: você é nordestina e canta assim? Ou deveria cantar forró e usar flor no cabelo”, contou.

    Essa experiência a levou a construir uma narrativa plural, desafiando os rótulos e ampliando as possibilidades de expressão cultural. “Queria criar camadas de linguagem e oferecer um novo olhar sobre a identidade nordestina”, explicou.

    Ao recusar amarras culturais, Juliana transformou sua arte em um manifesto pela liberdade e pluralidade, mostrando que a cultura é um território onde a identidade se vive em toda sua complexidade.

    Programação da Feira segue com debates sobre terra e tecnologia

    A 25ª Feira da Reforma Agrária em Alagoas ainda reserva outros seminários relevantes, entre eles “Os desafios da luta pela terra em Alagoas”, marcado para o dia 10 às 14h, e “Tecnologia a serviço do povo: o uso da Inteligência Artificial para a luta popular”, no dia 11 às 14h. Todas as atividades acontecem no auditório do Sindicato dos Urbanitários, reforçando o compromisso com a reflexão crítica sobre temas fundamentais para a população alagoana.

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