Memória cultural preservada em nova plataforma digital
Os bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro, em Maceió, conhecidos pelo impacto causado pelo afundamento do solo devido à mineração, agora contam com um espaço dedicado à preservação e consulta pública da sua memória cultural. O Inventário Participativo do patrimônio cultural imaterial (IPCI Maceió) consolidou informações de 330 fazedores de cultura e 75 manifestações culturais desses territórios, reunindo um acervo de cerca de 5 terabytes, que inclui mapas, registros audiovisuais e entrevistas.
Pesquisa e colaboração para garantir a preservação
O levantamento foi realizado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), como parte do acordo socioambiental para reparar os danos provocados pela mineração na região. A iniciativa é acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL). Durante a desocupação dos bairros, constatou-se que os fazedores de cultura se dispersaram para 61 destinos diferentes, dentro e fora de Maceió, evidenciando o impacto territorial nas relações comunitárias e na continuidade das tradições culturais.
Integração nacional e acesso público aos dados
Os dados coletados pelo IPCI Maceió foram incorporados à plataforma digital do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), mantida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Essa ferramenta reúne informações sobre territórios, bens culturais, comunidades e manifestações culturais em todo o país. Além disso, o inventário produziu mapas detalhados e registros audiovisuais com depoimentos dos próprios fazedores de cultura, garantindo que moradores, pesquisadores e gestores públicos possam acessar e utilizar o material para pesquisas futuras e para orientar políticas públicas voltadas à proteção e valorização do patrimônio imaterial.
Leia também: Entorno dos Mestres: Acervo Digital Revela Riquezas do Patrimônio Vivo de Alagoas
Leia também: Transformação Digital: A Revolução dos Livros Raros de 1778 em Maceió
Desafios e participação comunitária
A desocupação dos bairros trouxe dificuldades para o levantamento, principalmente na localização dos moradores dispersos. Para superar esse obstáculo, o projeto realizou um trabalho de censo e articulação direta com a comunidade local. A participação ativa dos moradores e artistas contribuiu para aprimorar a metodologia da pesquisa e assegurar que o conhecimento produzido permanecesse acessível a quem vive a história dessas comunidades.
Resultados e impacto na cultura local
Antes mesmo da plataforma ser disponibilizada ao público, os resultados do IPCI já vêm sendo usados por órgãos públicos em editais e ações culturais no município e estado. O material também servirá como base para outras ações de reparação relacionadas aos danos causados pela mineração, garantindo que a memória cultural dos bairros afetados continue viva e reconhecida, conforme ressaltam o MPF e o MP/AL.
Evento de apresentação do acervo
Um evento para apresentar a plataforma e as iniciativas de preservação relacionadas ao patrimônio cultural dos bairros impactados está marcado para 7 de outubro, com local e horário a serem divulgados. A apresentação do acervo aos órgãos envolvidos, como Ufal, Fundepes, Iphan, Braskem, MPF e MP/AL, também contou com discussões sobre ajustes e possibilidades de integração dos dados com outras ações culturais e de reparação.

