Encontro nacional fortalece a economia criativa em Alagoas
O sebrae alagoas abriu suas portas nesta terça (13) para sediar a segunda edição do Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa. Durante dois dias, Maceió recebe empreendedores, produtores culturais e representantes de instituições públicas que se reúnem para debater caminhos de desenvolvimento do setor cultural, com foco em geração de negócios, sustentabilidade das atividades e valorização das vocações econômicas locais.
O seminário faz parte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura, o Sebrae Nacional e o Instituto BR Arte. A iniciativa conecta políticas públicas e empreendedorismo cultural, aproximando produtores culturais das instituições que podem apoiar suas atividades. A construção de redes colaborativas e planos de ação alinhados às particularidades econômicas regionais é uma das bases do evento.
Maceió reconhecida pela experiência e protagonismo
A escolha de Maceió para sediar novamente o seminário evidencia o reconhecimento das práticas desenvolvidas em Alagoas e sua capacidade de inspirar outras regiões do país. Ana Paula Garcia, coordenadora de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, destaca a riqueza cultural do Nordeste e o valor das experiências locais para o desenvolvimento nacional.
“O Nordeste apresenta uma diversidade cultural muito expressiva e experiências que servem de referência para o país. A escolha de Maceió é estratégica por sua representatividade, legado e experiência acumulada. O Sebrae Nacional aprende com os estados que já desenvolvem iniciativas bem-sucedidas para que essas práticas possam inspirar outros territórios”, afirma.
Ampliando a visão sobre a economia criativa
Embora a economia criativa seja frequentemente associada à música, teatro e artesanato, seu alcance é muito maior. Atividades como gastronomia, turismo de base comunitária, audiovisual, design, arquitetura, jogos digitais, patrimônio histórico e serviços culturais também compõem esse universo, que valoriza a identidade dos territórios como ativo principal.
Leia também: Sebrae Alagoas: Campanha Destaca a Importância da Economia Criativa e do Empreendedorismo Local
Leia também: Sebrae Alagoas e UFAL: Parceria Promove Oportunidades para Microempreendedores
Para Cyntia Uchôa, analista de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, o desafio está em fazer com que os trabalhadores da cultura reconheçam seu potencial empreendedor. A Rede de Cultura e Economia Criativa já atua em 24 unidades federativas, promovendo estratégias que ligam políticas públicas, instituições e pequenos negócios.
“Muitas vezes, o trabalhador da cultura não se reconhece como empreendedor. Nosso trabalho é apoiar a formalização e fortalecer a sustentabilidade dos negócios, respeitando suas características e vocações. Queremos que essas pessoas se vejam como parte de uma cadeia econômica capaz de gerar renda e oportunidades”, explica.
Articulação nacional e recursos para o setor cultural
Estruturada nacionalmente a partir de 2024, a rede mantém conexões com a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), que destina recursos públicos ao setor. O Sebrae contribui com articulação institucional, planejamento e compartilhamento de boas práticas, buscando aproximar os incentivos das necessidades reais de quem empreende na cultura.
Alagoas como polo de conexões e parcerias
No estado, o Sebrae Alagoas conduz a mobilização local, aproximando lideranças e empreendedores do setor. Thêmis Mendonça, analista do Sebrae Alagoas, destaca a relação entre economia criativa e outros setores, como o agro e o turismo, tão presentes na dinâmica alagoana.
“A economia criativa dialoga com todos os setores que atendemos, inclusive o agro. Em Alagoas, onde o turismo tem grande importância, essa conexão é ainda mais evidente. Trazer o seminário para o Sebrae aproxima os fazedores de cultura da instituição, fortalecendo essa articulação local”, observa.
Leia também: Economia Criativa em Alagoas: Como a Inovação Gera Oportunidades Reais de Negócio
Leia também: Penedo promove o 1º Seminário de Afroturismo para valorizar cultura e turismo local
Experiências culturais que inspiram negócios sustentáveis
A programação do seminário iniciou com uma palestra da jornalista e empreendedora Luíla de Paula sobre o fortalecimento dos ecossistemas de negócios criativos. O primeiro dia também contou com visitas técnicas ao Teatro Homerinho e ao Espaço Gajuru Cultural, ambos situados no bairro de Jaraguá, para conhecer experiências locais que ilustram caminhos para sustentabilidade e valorização cultural.
O Espaço Gajuru, conhecido como Tripinha, é sede da Associação Cultural Joana Gajuru, grupo com 31 anos de atuação no teatro alagoano. A conquista desse espaço representa a superação de desafios, após a perda da antiga sede no bairro do Pinheiro, afetada por desastre da mineração.
Alex Walker, ator e cineasta do grupo, ressalta que a Tripinha é uma reparação que virou patrimônio cultural para a cidade, mas também um empreendimento que precisa gerar receita para se manter. O espaço oferece locação para atividades culturais, mantém condições solidárias para integrantes da rede e movimenta profissionais e serviços ligados ao setor.
“A Tripinha representa a preservação de uma trajetória cultural, mas também é um negócio que precisa se sustentar e movimentar a economia local. Políticas como a Aldir Blanc são fundamentais para dar fôlego à produção cultural, mas o incentivo sozinho não garante sustentabilidade. É preciso associá-lo a um modelo de negócio e a uma rede de apoio”, destaca.
Continuidade e construção coletiva
Na quarta-feira (14), o seminário dedica-se a mesas de trabalho com lideranças, produtores e empreendedores culturais. O objetivo é construir planos de ação e fortalecer as conexões entre os diversos atores da rede, ampliando as oportunidades para a economia criativa em Alagoas e além.

