Soja ganha espaço estratégico em Alagoas
O cultivo de soja tem avançado de forma significativa em Alagoas, consolidando-se como alternativa viável nas áreas de rotação com a cana-de-açúcar durante o período de entressafra, além de abastecer o mercado nacional de grãos. Para proteger as lavouras dos efeitos adversos da alta radiação solar e da escassez hídrica, produtores locais passaram a utilizar um protetor solar agrícola, que ajuda a manter a qualidade das sementes e o vigor das plantas.
Produção em São Miguel dos Campos se destaca
Um exemplo desse avanço está na Usina Caeté, em São Miguel dos Campos, onde o produtor Alexandre Dalla Vechia cultiva soja desde 2021, em uma área de 1.800 hectares durante a entressafra, alcançando uma produtividade média de 60 sacas por hectare. Recentemente, ele direcionou sua produção para a obtenção de sementes, comercializadas com estados vizinhos como Bahia e Maranhão.
“Embora planejássemos ampliar a área para 2 mil hectares, fatores econômicos nos fizeram manter a extensão atual focando na produção de sementes que são vendidas para Jaborandi, na Bahia, e Chapadinha, no Maranhão”, explicou Dalla Vechia ao Movimento Econômico.
Inovação com protetor solar agrícola
A aplicação do protetor solar na soja ainda é uma prática recente em Alagoas. Dalla Vechia relata que já percebeu uma melhoria na coloração das folhas, mas os resultados finais só poderão ser avaliados na colheita. Para atender as exigências do mercado, além da quantidade, a qualidade fisiológica e o vigor germinativo das sementes são fundamentais.
“Os primeiros sinais são positivos, mas teremos dados concretos somente na colheita”, acrescentou.
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Proteção essencial nos meses críticos da soja
O pesquisador Anderson Marafon, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), detalhou que os meses de agosto e setembro são os mais desafiadores para o desenvolvimento da soja na região Sealba, que abrange municípios de Sergipe, Alagoas e nordeste da Bahia. Nesse período, a combinação da baixa disponibilidade de água no solo com a intensa radiação solar pode comprometer o cultivo.
O protetor solar agrícola, à base de carbonato de cálcio, cria uma película clara sobre as folhas que aumenta a reflexão da radiação, reduzindo a temperatura foliar e a transpiração. Isso confere maior segurança para a lavoura nos meses mais críticos.
Impactos positivos na fisiologia da planta
A radiação excessiva pode saturar a capacidade fotossintética das folhas, fazendo com que a planta dissipe energia por meio da fotorrespiração, o que reduz a eficiência na fixação de carbono em até 30%. A película formada pelo protetor solar altera o albedo das folhas, favorecendo processos fisiológicos como a abertura dos estômatos, absorção de água e nutrientes, além das trocas gasosas essenciais para o desenvolvimento da planta.
Nas lavouras de soja, o produto é aplicado simultaneamente às pulverizações de fungicidas, geralmente em duas etapas: ao final do período vegetativo e no início do período reprodutivo, entre 15 e 20 dias depois.
Produção de sementes com foco em mercados estratégicos
Marafon destacou que a produção de sementes em Alagoas tem um diferencial competitivo, pois a colheita ocorre em agosto e setembro, permitindo o processamento e envio para regiões que iniciam o plantio posteriormente. Isso gera maior valor agregado para os produtores locais.
Além de São Miguel dos Campos, outras áreas, como Campo Alegre, também têm adotado o cultivo de soja em sistema de rotação com a cana-de-açúcar, com áreas que chegam a 595 hectares. O plantio combina terras próprias e arrendadas para ampliar a produção.
Condições climáticas e desafios regionais
Segundo o décimo levantamento da safra de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Limoeiro de Anadia, apesar dos baixos volumes de chuva, a umidade do solo foi suficiente para concluir o plantio ainda em junho. As temperaturas máximas oscilaram entre 30 °C e 32 °C, e as lavouras apresentaram estágios variados de desenvolvimento, da germinação até a formação de vagens.
O regime de chuvas intercalado com estiagens favoreceu os tratos culturais, permitindo que a soja expressasse seu potencial produtivo, conforme o levantamento.
Marafon ressalta que a disponibilidade hídrica varia conforme a região: áreas com maior pluviosidade enfrentam menos riscos, enquanto regiões como o Agreste, onde as chuvas são mais escassas, apresentam desafios maiores para o cultivo.
Ele destaca ainda que na Zona da Mata as áreas disponíveis são limitadas e, em sua maioria, ligadas à produção de cana. A soja tem entrado nessas áreas em sistema de renovação, voltando posteriormente para o cultivo da cana. A produção de sementes se destaca como um segmento importante para o estado, diferindo da produção tradicional de grãos.

