Mais famílias no Bolsa Família do que empregos com carteira assinada
Alagoas segue enfrentando um cenário de alta dependência dos programas de transferência de renda. Dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e do Governo Federal, referentes a maio de 2026, indicam que o estado conta com 506.375 famílias beneficiárias do Bolsa Família. Esse número supera o total de vínculos formais de trabalho, que somam 441.332 empregos com carteira assinada, uma diferença de 65.043 famílias.
População e impacto do benefício
Com uma população estimada em 3.220.848 habitantes, Alagoas tem 1.292.712 pessoas recebendo o Bolsa Família, o que representa 40,13% da população estadual. O valor médio do benefício pago às famílias é de R$ 686,95, totalizando R$ 347,65 milhões transferidos apenas no mês de maio.
Vulnerabilidade econômica e perfil das famílias
Os dados do Cadastro Único reforçam o quadro de vulnerabilidade social em Alagoas. São 2.052.830 pessoas cadastradas em 912.817 famílias, das quais 498.767 — cerca de 55% — vivem em situação de pobreza. Em números absolutos, isso significa que 1.206.026 alagoanos estão em famílias classificadas como pobres, o equivalente a 59% dos cadastrados no CadÚnico.
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Outros programas sociais e estímulo à renda rural
Além do Bolsa Família, 136.465 pessoas recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. O Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais também apoia 15.373 famílias, incentivando a geração de renda no meio rural.
Desafios para a economia e mercado de trabalho
Esses números revelam o peso significativo dos programas sociais na economia local. Enquanto o mercado formal oferece pouco mais de 441 mil empregos, mais de meio milhão de famílias dependem do Bolsa Família. Esse cenário evidencia os desafios de Alagoas em expandir a geração de emprego formal e reduzir a pobreza.
As informações reforçam a importância das políticas públicas de assistência social, mas também apontam para a necessidade urgente de ampliar oportunidades de trabalho formal, para diminuir a dependência econômica do benefício e fortalecer a economia do estado.

