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    Economia

    Eucalipto cresce em Alagoas e fortalece integração entre pecuária e sustentabilidade

    25 de junho de 2026
    Eucalipto cresce em Alagoas e fortalece integração entre pecuária e sustentabilidade
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    Eucalipto e pecuária: uma nova alternativa produtiva em Alagoas

    Na Fazenda Buenos Aires, localizada em Passo de Camaragibe, fileiras de eucalipto formam um cenário que simboliza uma nova estratégia produtiva para o campo alagoano. O produtor rural José Nogueira adotou o sistema silvipastoril, que integra árvores, pecuária e pastagem na mesma área, possibilitando a produção simultânea de carne e madeira. Essa prática deixou de ser apenas um experimento e se consolida como uma alternativa para diversificar a renda e fortalecer a atividade pecuária local.

    Esse modelo vem ganhando espaço no estado como uma forma eficiente de ampliar o aproveitamento da terra, melhorar o conforto térmico dos animais e gerar novas fontes de receita para os produtores rurais. A expansão do cultivo de eucalipto acompanha uma tendência observada na última década. De acordo com estudo da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), a área plantada no estado saltou de 2.525 para 27.692 hectares no período.

    Benefícios econômicos e ambientais do cultivo integrado

    O crescimento da cultura do eucalipto em Alagoas está diretamente ligado à viabilidade econômica e ao potencial de diversificação produtiva em regiões historicamente dependentes da cana-de-açúcar. Além de suprir diferentes setores industriais com matéria-prima, o eucalipto destaca-se como fonte renovável de energia e contribui para transformar propriedades rurais em exemplos de inovação e sustentabilidade no agronegócio alagoano.

    Na Fazenda Buenos Aires, onde o primeiro plantio ocorreu em 2020, as árvores já ultrapassam cinco anos de desenvolvimento, prazo considerado ideal para diversas possibilidades de comercialização da madeira. Entretanto, os benefícios do sistema silvipastoril começaram a ser percebidos antes mesmo do retorno financeiro.

    Durante o verão, especialmente nos meses de dezembro e janeiro, parte da fazenda sofre redução da cobertura vegetal devido às condições climáticas. No entanto, nas áreas com o sistema silvipastoril implantado, o capim permanece verde graças ao sombreamento das árvores, proporcionando um ambiente mais confortável para os animais e melhores condições para a pecuária.

    Leia também: Funai Reforça Diálogo e Política Indigenista na Assembleia Geral de Roraima

    Fonte: aquiribeirao.com.br

    “Você mantém a pecuária, potencializa a atividade e ainda cria uma reserva financeira com o eucalipto. A pastagem se beneficia, pois com menos luminosidade, o capim cresce melhor e aumenta sua proteína em cerca de 10% a 12%. Essa é a grande vantagem do sistema silvipastoril”, explica José Nogueira.

    Planejamento e manejo para o futuro da atividade

    O produtor planeja comercializar a madeira em ciclos mais longos, enquanto o sistema continua contribuindo para o desempenho da pecuária. “Como o plantio mais antigo está sendo acompanhado tecnicamente, ainda não realizamos o corte. A ideia é monitorar o desenvolvimento entre seis e oito anos, retirando junto com os plantios mais novos. O ciclo varia conforme a finalidade da madeira: biomassa e energia podem ser colhidas em cinco anos; para serraria, o período costuma ser maior”, detalha José Nogueira.

    As condições climáticas de Alagoas favorecem o cultivo do eucalipto. Enquanto a média nacional do Incremento Médio Anual (IMA) varia entre 40 e 42 metros cúbicos por hectare, no estado a projeção é de aproximadamente 50 metros cúbicos, podendo alcançar índices ainda superiores. “No primeiro ciclo tivemos clones com mais de 90 metros cúbicos por hectare. No segundo ciclo, chegamos a 140 metros cúbicos, mesmo em áreas com competição entre árvores e capim. Os resultados foram impressionantes”, destaca o produtor, que acompanha o projeto desde o início.

    Pesquisa, inovação e expansão da cultura em Alagoas

    Esses avanços são resultado do trabalho conjunto entre Sebrae Alagoas, FIEA e Embrapa Tabuleiros Costeiros, que desenvolveram estudos para identificar clones mais adaptados ao clima e solo alagoanos, especialmente na Zona da Mata. Desde 2008, a FIEA coordena pesquisas com mudas geneticamente selecionadas, com características como crescimento acelerado, resistência a pragas, maior produtividade e qualidade da madeira.

    Inicialmente, foram testados 40 clones de diferentes regiões do país, que se adaptaram bem às condições locais. Em um segundo ciclo, o número de variedades avaliadas aumentou para 100, incluindo o sistema silvipastoril como foco principal. Foram implantadas Unidades de Referência Técnica (URTs) em Passo de Camaragibe, Maceió e Pão de Açúcar, onde equipes técnicas continuam monitorando os resultados.

    Perspectivas para o desenvolvimento sustentável no campo

    O cultivo de eucalipto oferece oportunidades econômicas para diferentes segmentos, como construção rural, mourões de cerca, serrarias, lenha industrial, biomassa energética, móveis e celulose, dependendo da escala produtiva. Alagoas conta com condições favoráveis para essa atividade, incluindo boa luminosidade, regime de chuvas adequado na Zona da Mata e acompanhamento técnico especializado.

    Cristina Loureiro, analista de Competitividade Setorial do Sebrae Alagoas, destaca que “uma madeira com mais de cinco anos pode ser usada em aplicações mais sofisticadas, como construção civil, agregando valor. Enquanto isso, o produtor trata a floresta como uma poupança, plantando árvores para sombra dos animais e podendo comercializar a madeira futuramente se precisar de recursos”.

    Desde 2018, o Sebrae Alagoas promove capacitações para técnicos e produtores, focando na implantação correta do sistema e no fortalecimento da cultura no estado. O primeiro ano é crucial, exigindo atenção especial ao manejo e acompanhamento técnico.

    “Acompanhamos desde a escolha e planejamento da área até o pós-plantio, com análise de solo, definição da fertilização, preparo, plantio e manutenção. No sistema silvipastoril, aguardamos cerca de um ano para introduzir os animais, garantindo que a área esteja apta”, explica Adalberto Silva, consultor do Sebrae especializado na cultura.

    Entre árvores, pasto e gado, o sistema silvipastoril começa a transformar o panorama rural em Alagoas, unindo produtividade, sustentabilidade e novas fontes de renda para quem vive da terra. Cristina Loureiro reforça: “Queremos ampliar o acesso dos produtores às mudas, formar consultores especializados e aproximar a produção de madeira dos setores de construção civil e móveis, ampliando o mercado para os produtores rurais do estado”.

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