A influência política de Arapiraca nas chapas majoritárias
O ex-prefeito de Maceió e candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas, o “JHC” (PSDB), definiu Célia Rocha (PSDB) como sua candidata a vice na disputa estadual. Logo em seguida, o ex-ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) escolheu Yale Fernandes (MDB) para compor sua chapa. Apesar de adversários, ambos os nomes de vice são oriundos de Arapiraca e do grupo político que domina a segunda maior cidade de Alagoas.
Com uma população de 234 mil habitantes, Arapiraca exerce influência política local que ultrapassa seus limites territoriais. A cidade é o maior polo da Zona Metropolitana do Agreste, que engloba outros 14 municípios e totaliza 508 mil moradores. Esse peso regional se reflete na composição das chapas majoritárias do Estado.
Grupos políticos e alinhamentos em Arapiraca
Célia Rocha, que já exerceu mandatos como prefeita de Arapiraca entre 1997 e 2016, era vice de Yale Fernandes na última gestão municipal. Yale Fernandes atualmente está à frente da Secretaria de Governo sob o comando do prefeito Luciano Barbosa (MDB), que alternou a prefeitura com Rocha nas últimas duas décadas. Barbosa mantém uma relação próxima com o senador Renan Calheiros (MDB), mas também dialoga com outras forças políticas, como o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), e com JHC.
Essa articulação política é visível na diversidade partidária da família de Barbosa: o filho Daniel Barbosa é deputado federal pelo PP, partido de Lira, enquanto Lucas Barbosa integra o PSDB, legenda de JHC. Apesar do apoio formal declarado por Luciano Barbosa à candidatura de Renan Filho, a presença de vices ligados ao seu grupo provoca desconforto entre partidos aliados que ficaram de fora da chapa majoritária.
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Disputas internas revelam estratégia e fortalecimento político
Fontes que preferem o anonimato afirmam que Luciano Barbosa atua nos bastidores para fortalecer candidaturas de JHC e Arthur Lira, mesmo apoiando publicamente Renan Filho. A indicação de Célia Rocha, ligada a Barbosa, reforça esse entendimento. Independentemente do resultado eleitoral, observa-se que Barbosa amplia sua influência e se posiciona estrategicamente para ocupar espaço no governo estadual.
Renan Filho aguardou o anúncio da chapa de JHC antes de oficializar sua própria composição, em meio a rumores sobre uma possível desistência de JHC na disputa pelo governo para tentar o Senado. O ex-prefeito de Maceió chegou a se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir essa possibilidade, mas, pressionado por aliados como Arthur Lira, decidiu permanecer na corrida pelo governo.
Chapa pura do MDB e a força do interior
A estratégia do MDB para as eleições em Alagoas aposta em uma chapa integralmente composta por filiados ao partido: Renan Filho para governador, Yale Fernandes na vice, e para o Senado, Renan Calheiros e Dr. Wanderley (MDB). A decisão reforça o protagonismo do MDB no interior do Estado, sobretudo em municípios como Marechal Deodoro, Palmeira dos Índios, Penedo e Rio Largo, além de Arapiraca.
Enquanto isso, JHC buscava uma indicação da região do Agreste para compor sua chapa. Embora tivesse preferência por Lucas Barbosa, jovem filiado ao PSDB, o apoio do grupo político de Arapiraca, representado por Célia Rocha, prevaleceu. A decisão considerou também a promessa feita ao atual vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), que acabou preterido em favor da força política do Agreste.
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O peso eleitoral entre capital e interior em Alagoas
O berço eleitoral de JHC é Maceió, onde foi reeleito com mais de 80% dos votos em primeiro turno. Por outro lado, o grupo dos Calheiros mantém domínio no interior do Estado. Essa divisão política se reflete na composição das chapas, que mesclam forças da capital e do interior para ampliar o alcance eleitoral.
A campanha de Renan Filho afirma contar com o apoio de pelo menos 95 das 102 cidades alagoanas, destacando a influência do MDB no interior. No entanto, o peso eleitoral de Maceió e a perda do controle do Agreste são pontos de atenção entre os aliados do ex-ministro. A indicação de vices de Arapiraca, embora estratégica, gera questionamentos sobre o equilíbrio político regional na disputa estadual.
O desfecho dessa articulação política em Alagoas deve impactar diretamente na dinâmica de poder estadual e nas próximas decisões administrativas, com atenção especial para o papel que Arapiraca seguirá desempenhando no cenário político local.

