Inflação e seus impactos em fevereiro
A prévia da inflação oficial de fevereiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou uma elevação de 0,84%, superando os 0,20% do mês anterior. Esse aumento é impulsionado, principalmente, pelo setor de educação, que apresentou um crescimento de 5,20%, gerando um impacto de 0,32 pontos percentuais (p.p.) no índice. Essa alta se deve aos reajustes das mensalidades escolares e cursos que ocorrem no início do ano letivo.
Além da educação, o grupo de transportes também exerceu influência significativa sobre o indicador, com uma variação de 1,72% e um impacto de 0,35 p.p. As demais categorias mostraram oscilações mais modestas. Por exemplo, vestuário teve uma queda de 0,42%, enquanto saúde e cuidados pessoais registraram um aumento de 0,67%.
Acumulação e comparação anual
A inflação acumulada do IPCA-15 para o ano de 2023 até o momento é de 1,04%, enquanto nos últimos 12 meses, o índice alcançou 4,10%. Esse resultado representa uma leve diminuição em relação aos 4,50% do período anterior, o que pode indicar uma desaceleração nas pressões inflacionárias.
Os dados mais recentes, divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda apontam que, no grupo saúde e cuidados pessoais, a alta de 0,67% gerou um impacto de 0,09 p.p., com destaques para as variações em artigos de higiene pessoal (0,91%) e planos de saúde (0,49%).
Alimentação e suas nuances
No setor de alimentação e bebidas, que teve um acréscimo de 0,20% e gerou um impacto de 0,04 p.p., a alimentação no domicílio avançou apenas 0,09% em fevereiro, mostrando uma queda em comparação com janeiro, quando a alta foi de 0,21%. O tomate, por exemplo, destacou-se com um aumento expressivo de 10,09%, enquanto as carnes registraram uma elevação de 0,76%.
Por outro lado, alguns itens apresentaram quedas significativas. O arroz teve uma redução de 2,47%, o frango em pedaços caiu 1,55% e as frutas apresentaram uma diminuição de 1,33% no preço. O IBGE também informou que a alimentação fora do domicílio teve uma variação maior, com aumento de 0,46%, puxada pelas altas na refeição (0,62%) e no lanche (0,28%).
Habitação e energia elétrica
Após um recuo de 0,26% em janeiro, o grupo habitação mostrou uma leve alta de 0,06% em fevereiro. Os principais responsáveis por essa elevação foram a taxa de água e esgoto, que subiu 1,97%, e o aluguel residencial, que teve um aumento de 0,32%. Por outro lado, a energia elétrica residencial sofreu uma queda de 1,37%, impactando negativamente o indicador com 0,06 p.p. Este recuo está atrelado à bandeira tarifária verde, que não gera custos adicionais aos consumidores.
Indicadores regionais e comparativos
Ao analisarmos os índices regionais, São Paulo se destacou com a maior variação, atingindo 1,09%. Essa alta é atribuída ao aumento nos preços de passagens aéreas (16,92%) e nas mensalidades de cursos regulares (6,34%), com ênfase no ensino fundamental que teve um incremento de 8,32%. Em contrapartida, Recife registrou a menor variação, com apenas 0,35%, influenciada pela queda nos preços de transporte por aplicativo (-10,34%) e energia elétrica residencial (-2,32%).
Para o cálculo do IPCA-15 de fevereiro, o IBGE avaliou os preços coletados entre 15 de janeiro e 12 de fevereiro de 2023, comparando-os com os valores anteriores de 13 de dezembro de 2022 a 14 de janeiro de 2023. O indicador é representativo das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos e abrange regiões metropolitanas como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
A abordagem metodológica utilizada permanece a mesma do IPCA, diferenciando-se apenas pelo período de coleta de preços e pela abrangência geográfica. A próxima divulgação do IPCA-15, que tratará dos dados referentes a março, está prevista para o dia 26 do mesmo mês.

