Novas Diretrizes na Braskem
A Novonor, antigo grupo Odebrecht, anunciou a finalização do acordo para a venda de sua participação na Braskem, uma das líderes na indústria petroquímica, para a gestora IG4 Capital. A negociação, que foi proposta em dezembro, não teve o valor exato revelado, mas estima-se que envolva cerca de R$ 20 bilhões. Essa transação foi realizada de forma a atender aos interesses da Petrobras, que busca aumentar sua influência na Braskem, onde já possui participação significativa.
A operação está atrelada à garantia de ações dadas por um grupo de bancos, incluindo Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES, que enfrentaram calotes da antiga Odebrecht. A dívida em questão gira em torno de R$ 20 bilhões, conforme informações apresentadas ao CADE, órgão regulador da concorrência. Há relatos de que a IG4 Capital adquiriu esses créditos por meio de um fundo, em uma operação que normalmente envolve aplicação de taxa de desconto.
Aprovação Regulamentar e Novos Acordos
Para que a transação se concretize, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo órgão de regulação de subsídios da Comissão Europeia. O negócio já recebeu aprovação de reguladores antitruste no Brasil, México, Estados Unidos e União Europeia, locais onde a Braskem opera.
Além disso, a Petrobras, que detém 36% das ações da Braskem, também precisa formalizar seu consentimento. A estatal e a Novonor compartilham o controle da empresa e têm um acordo de acionistas que garante à Petrobras um direito de preferência na compra das ações e a possibilidade de ‘tag along’, caso a Novonor decida vender sua fatia.
O novo acordo de acionistas, que será estabelecido entre a IG4 Capital e a Petrobras, visa garantir que a governança da Braskem seja equilibrada. O acordo especificará a necessidade de consenso nas decisões do Conselho de Administração, assim como o direito de as partes indicarem um número igual de membros para a diretoria.
Mudanças na Liderança da Braskem
Com a proposta da IG4 Capital em andamento, a Petrobras tem atuado discretamente nos bastidores para assegurar um novo acordo que permita a intervenção na gestão da Braskem. Essa estratégia se alinha à visão econômica do governo atual, que busca fortalecer a indústria nacional e a valorização de matérias-primas brasileiras.
Em um comunicado recente, a Petrobras mencionou estar avaliando a situação e confirmou ter recebido uma carta vinculante sobre o novo acordo. Fontes anônimas indicaram que a estatal já deu seu aval para o negócio.
Com a estrutura de governança sendo definida, a IG4 Capital ficará encarregada da escolha dos executivos financeiros, enquanto a Petrobras indicará os profissionais da área operacional. O novo CEO será Helcio Tokeshi, sócio da IG4 Capital, que é conhecido por sua experiência em operações de terminais portuários e outros cargos de relevância.
Desafios e Oportunidades no Cenário Econômico
A Braskem enfrenta um cenário complicado, especialmente devido ao alto nível de endividamento que já levou a suas subsidiárias no México a calotes em dívidas. Essa situação preocupa, pois pode culminar em processos de recuperação judicial, especialmente nos EUA. Além disso, a empresa ainda lida com as consequências de desastres ambientais em Maceió, que impactaram negativamente suas operações e a venda de ações pela Novonor.
Recentemente, a Braskem firmou um acordo para compensar Alagoas com R$ 1,2 bilhão, mas os riscos adicionais relacionados a possíveis gastos futuros ainda permanecem. Em um contexto global, a petroquímica enfrenta uma fase de baixa competitividade, acentuada por um excesso de capacidade produtiva e uma demanda que não cresce na mesma proporção.
Entretanto, como evidenciado por analistas do setor, novos eventos internacionais, como conflitos no Oriente Médio, podem abrir oportunidades para a Braskem. A interrupção da oferta de matérias-primas na Europa e na Ásia pode favorecer a posição das usinas americanas, incluindo a brasileira, no fornecimento de insumos.
João Zuñeda, sócio da consultoria MaxiQuim, destaca que a influência maior da Petrobras na gestão e a recuperação dos spreads de mercado podem indicar uma reestruturação promissora para a Braskem no futuro.
O desfecho desta negociação representa o fim de um longo processo que se estendeu desde 2018, quando a Novonor começou a buscar a venda de sua participação na Braskem. A empresa familiar, com raízes profundas na indústria petroquímica brasileira, deixa um legado significativo após décadas de investimento no setor. Em uma nota, a Novonor reafirmou seu compromisso com a indústria e o orgulho de ter contribuído para o desenvolvimento de um ativo estratégico para o Brasil.

