Evento destaca o valor dos saberes tradicionais em Alagoas
O Museu Théo Brandão, em Maceió, será palco do evento “Mestras no Museu: guardiãs da memória e produção territorial de Alagoas”, que acontece no dia 3 de novembro, às 18h. A iniciativa é uma parceria entre o PIEX 4 – Comunicação, Economia Criativa, vinculado ao curso de Relações Públicas da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o Projeto Memória e Produção em Territórios Culturais, o Quintal Cultural, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), o Museu Théo Brandão e a própria Ufal.
A programação inclui painéis, apresentações culturais e diversas atividades que valorizam as trajetórias e os saberes das mestras convidadas, mulheres que preservam e transmitem saberes tradicionais em diferentes comunidades de Alagoas.
Guardas das tradições alagoanas
Dentre as participantes, está Mestra Zeza do Coco, de Bebedouro, reconhecida como Patrimônio Vivo do Estado. Ela representa uma região afetada pelo desastre da Braskem e carrega desde a infância a tradição do coco de roda, um gênero musical e cultural da região. Líder do grupo Pagode Comigo Ninguém Pode, Zeza dedica-se a perpetuar essa manifestação, envolvendo seus netos nas rodas e garantindo a transmissão do conhecimento.
Outro destaque é Mestra Pastora, de Marechal Deodoro, uma marisqueira e artesã que também guarda a tradição das Baianas locais. Com 84 anos, sua trajetória é exemplo de resistência contra o racismo e o machismo, mantendo viva a cultura da sua comunidade desde a infância, quando começou a dançar aos 4 anos.
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Mestra Cistina, líder cultural da Comunidade Quilombola Poços de Lunga, em Taquarana, também marca presença. Ela mantém viva a arte de confeccionar bonecas kalungas feitas de retalhos, um legado de sua bisavó, Mestra Firmina Mercê de Jesus, que foi a primeira arte-educadora do Quilombo Lunga.
Mestra Gina Baruk, artesã e descendente do povo indígena, une arte manual e identidade cultural ligada ao movimento reggae em Alagoas. Sua produção funciona como instrumento de memória e expressão, reforçando a economia criativa local.
Ativismo e cultura popular
Além delas, Mestra Fátima Ecobrisa, ativista socioambiental e fundadora do Projeto EcoBrisa na APA da Jurema, em Arapiraca, integra o evento. Seu trabalho une rodas de capoeira, samba e plantio de espécies nativas, promovendo o cuidado ambiental com a comunidade.
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Mestra Tonha do Espírito Santo, guardiã da cultura quilombola e coordenadora da Festa do Meado de Agosto, também compartilha saberes sobre a cultura alimentar e medicinal do Quilombo Lunga. Ela é reconhecida como mestra das ervas e enraizeira, mantendo vivas práticas ancestrais de cura e alimentação.
Por fim, Mestra Tia Célia, batuqueira de Maceió e fundadora do coletivo Afro-Caeté e do bloco Sururu da Lama, destaca a importância do sururu não apenas como alimento, mas como símbolo cultural que remete à memória, território, economia e pertencimento do povo alagoano.
Acesso e participação
As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas até o dia da realização, por meio do site https://doity.com.br/mestras-n. A iniciativa abre espaço para que o público conheça e valorize as manifestações culturais e saberes tradicionais que fortalecem a identidade de Alagoas.

