Literatura e Inclusão: Um Encontro Transformador
No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Maria de Lourdes Vieira, localizado no Farol, a celebração do Dia Nacional do Livro, em 18 de abril, é uma prática diária. A literatura se transforma em um espaço onde cada história contada e cada página folheada oferece às crianças a oportunidade de se reconhecerem e existirem. Neste contexto mágico, príncipes e princesas nascem não de contos clássicos, mas como protagonistas reais, com diversas cores, corpos e maneiras de enxergar o mundo.
Por meio do Projeto Somos Feitos de Histórias, a escola não apenas ensina a ler, mas promove a inclusão e a formação de sujeitos conscientes de seu lugar na sociedade. Em uma dessas atividades, um momento profundamente simbólico destacou a importância da identificação na leitura. Um menino negro, autista, ao se deparar com um personagem em um livro, exclamou: “Tia, parece comigo”. Esse reconhecimento transformou a experiência da literatura, fazendo com que ele não visse apenas um personagem, mas sim a si mesmo como parte de uma narrativa, como alguém capaz de ser príncipe em sua própria história.
A professora Rosimeire Leandro ressalta que momentos assim têm um impacto significativo na percepção que a criança tem de si. “Quando ela se reconhece, ela se fortalece. Isso é fundamental, especialmente para uma criança autista, que precisa sentir que pertence e é incluída”, explica. Essa abordagem do CMEI transforma a forma como os pequenos vivenciam a literatura, transformando-a em um espelho que reflete suas identidades e em uma janela que abre novas possibilidades.
Construindo Identidades através da Leitura
Por muito tempo, muitas crianças cresceram imersas em narrativas que não espelhavam suas realidades, o que dificultava a criação de referências positivas. Ao expandir o repertório literário, a escola oferece um caminho para que cada aluno encontre sua própria identidade nas histórias. Os efeitos dessa abordagem são notáveis: um aluno, que antes era mais reservado, agora participa das atividades com mais entusiasmo e se expressa com maior confiança, conectando-se afetivamente com o universo da leitura.
Simone Souza, responsável pela Rede de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed), destaca a importância da diversidade nos acervos literários. “A criança precisa se reconhecer no livro. Quando isso ocorre, ela percebe que também pode ocupar qualquer lugar, inclusive o de protagonista”, afirma. Esse olhar inclusivo enriquece as experiências dos alunos, permitindo que cada um encontre seu espaço nas histórias.
No dia a dia do CMEI Maria de Lourdes Vieira, a leitura é realizada com carinho e propósito. As histórias circulam entre as crianças, as vozes se encontram e as diferenças são celebradas. É essa riqueza que torna a literatura tão poderosa: ela revela que existem múltiplas formas de ser e que todas têm seu valor.
Ao lado de páginas e descobertas, surgem verdadeiros príncipes e princesas, prontos para escrever suas próprias histórias e ocupar seu lugar no mundo.

