Nova Configuração Política em Alagoas
A recente janela partidária, que se encerrou na última sexta-feira (3), teve um efeito significativo nas principais casas legislativas de Alagoas, revelando diferentes dinâmicas na movimentação política dos parlamentares. Enquanto a Câmara dos Deputados apresentou alterações pontuais, a Assembleia Legislativa (ALE) passou por uma reestruturação relevante, alterando a correlação de forças entre os partidos.
Na Câmara Federal, a movimentação foi discreta. Entre os nove deputados alagoanos, apenas Alfredo Gaspar optou por mudar de legenda, deixando o União Brasil para se juntar ao PL. Os demais parlamentares mantiveram suas filiações, garantindo a continuidade do equilíbrio já estabelecido.
O MDB se mantém representado por Isnaldo Bulhões Júnior e Rafael Brito, enquanto o PT conserva Paulão, e o PSD continua com Luciano Amaral. Por sua vez, a federação União Progressista permanece com Arthur Lira, Marx Beltrão, Fábio Costa e Daniel Barbosa.
Se em Brasília as mudanças foram sutis, na Assembleia Legislativa de Alagoas o movimento foi mais intenso. Pelo menos seis deputados estaduais trocaram de partido durante a janela, resultando em alterações significativas na composição das bancadas.
O MDB despontou como o principal beneficiado, aumentando sua bancada de 14 para 16 parlamentares. Os recém-chegados incluem os deputados André Silva, Lelo Maia, Gabi Gonçalves e Francisco Tenório, sendo que estes últimos confirmaram suas filiações nos momentos finais da janela, consolidando assim a posição do partido como a maior força na Casa.
A federação União Progressista, por outro lado, registrou uma ligeira diminuição, passando de sete para seis deputados, mesmo após a chegada de Antônio Albuquerque. Em contrapartida, a Federação Brasil da Esperança ampliou sua representação, passando de dois para quatro parlamentares, com as novas filiações de Breno Albuquerque e Marcos Barbosa.
Outro ponto a ser destacado foi a extinção de siglas que perderam totalmente a representação na Assembleia. Os Republicanos e o Avante, que antes tinham representantes, não possuem mais cadeiras na ALE. O PL, no entanto, conseguiu manter uma representação mínima, contando com apenas um deputado, Cabo Bebeto.
Essa reestruturação partidária na ALE não apenas reforça a hegemonia do MDB, mas também amplia o peso do grupo governista no Legislativo estadual, ao mesmo tempo em que reorganiza o espaço ocupado pelas federações e diminui a fragmentação partidária.
Tensões na Câmara de Maceió
No cenário da Câmara de Maceió, embora a janela partidária não se aplicasse formalmente aos vereadores, o período foi também marcado por movimentações e um clima de tensão política. Três vereadores deixaram o PL e se filiaram ao PSDB, em função de articulações do ex-prefeito JHC. Essa mudança reduziu a bancada do PL de 11 para 8 parlamentares.
No entanto, essa alteração deve ser objeto de judicialização. O PL afirmou que pretende reivindicar os mandatos na Justiça Eleitoral, alegando infidelidade partidária, o que poderá abrir uma nova controvérsia política na capital.
Outra movimentação significativa foi a do vereador Zé Márcio Filho, que deixou o MDB com a autorização da legenda para filiar-se ao PSD, sem risco de contestação judicial. Essa série de trocas e disputas nos partidos evidencia um cenário dinâmico e em constante transformação na política alagoana.

