Valorização da cultura viva em Alagoas
Em Alagoas, a cultura pulsa muito além das páginas dos livros, dos museus ou dos arquivos históricos. Ela se manifesta nas mãos habilidosas das mestras e mestres, nos terreiros das comunidades tradicionais, nas aldeias indígenas, nas festas populares, nas músicas, nas danças, no artesanato e na oralidade que atravessa gerações. É nesse cenário rico de memórias e saberes que o Instituto João José Pereira atua, construindo uma trajetória dedicada à valorização, preservação e salvaguarda do patrimônio cultural do estado.
Mais do que promover eventos, o Instituto se destaca como um verdadeiro centro de cultura popular, fortalecendo os vínculos das comunidades com suas histórias e criando caminhos para que crianças, jovens e adultos reconheçam a cultura como elemento essencial de sua identidade. No âmbito do terceiro setor, essa missão ganha ainda mais importância, pois preservar uma manifestação cultural significa proteger os conhecimentos que a sustentam, valorizar seus portadores e garantir a continuidade desses saberes para as futuras gerações.
Pastoril Nossa Senhora Divina Pastora e a tradição que resiste
Entre os patrimônios culturais ligados ao Instituto, o Pastoril Nossa Senhora Divina Pastora destaca-se como um dos mais emblemáticos. Sob a coordenação de Maria Auxiliadora, conhecida como Tia Dora, que comanda o grupo há 46 anos, essa manifestação cultural envolve música, dança, expressão corporal e memória viva.
O Pastoril realiza apresentações ao longo do ano em quermesses, festas de padroeiras, festivais e eventos religiosos, percorrendo diferentes localidades e compartilhando uma tradição que ultrapassa o palco artístico. Para além do espetáculo, o Pastoril funciona como um espaço de transmissão de conhecimento, formação de novos brincantes e manutenção de uma prática cultural que integra a memória coletiva de Alagoas.
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Artesanato como elo entre saberes e comunidade
O artesanato também ocupa posição estratégica no trabalho desenvolvido pelo Instituto João José Pereira. Cada técnica artesanal representa um conjunto de conhecimentos específicos, desde a seleção dos materiais até a execução dos pontos e formas que são passados entre mestres e aprendizes.
Além do aspecto cultural, o artesanato gera impactos sociais e econômicos, promovendo convivência, estimulando a criatividade e fortalecendo os laços comunitários. Os participantes passam a enxergar o valor cultural e produtivo das habilidades que desenvolvem, reforçando seu vínculo com a tradição local.
Corte e costura: capacitação e autonomia para mulheres
O curso de corte e costura, coordenado por Amalrisa, já capacitou 130 mulheres no município de Junqueiro. O espaço oferece não só o aprendizado técnico sobre materiais, ferramentas e técnicas de costura, mas também cria um ambiente de troca, convivência e fortalecimento social.
Essa formação transforma uma habilidade manual em um instrumento de autonomia e desenvolvimento cultural e produtivo, ampliando as perspectivas das participantes no campo pessoal e comunitário.
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Desenho e pintura: ampliando linguagens e identidades
Ensinar jovens a desenhar e pintar vai além do desenvolvimento artístico. O Instituto oferece ferramentas para que eles se comuniquem, expressem criatividade e construam sua identidade. Essa experiência amplia o repertório cultural e mostra que a arte serve como instrumento de transformação social e pessoal.
Fortalecimento da cultura indígena em Alagoas
O Instituto João José Pereira dedica atenção especial às comunidades indígenas do estado, desenvolvendo projetos que valorizam a identidade cultural e artística desses povos. A salvaguarda do patrimônio indígena passa pela valorização dos saberes, símbolos, modos de fazer e formas próprias de expressão de cada comunidade.
Dentre essas iniciativas está o projeto “Eu Kariri-Xocó”, em Porto Real do Colégio, que reforça a identidade do povo Kariri-Xocó por meio do reconhecimento e valorização de suas referências culturais e artísticas. Outro projeto importante é “A Identidade do Povo Karapotó-Plaki-ô”, em São Sebastião, que atua na valorização do artesanato, da cerâmica e dos elementos simbólicos do povo Karapotó-Plaki-ô.
Esses trabalhos consolidam o Instituto João José Pereira como um agente fundamental para a preservação das culturas tradicionais de Alagoas, contribuindo para que esses patrimônios culturais sigam vivos, presentes e acessíveis às próximas gerações.

