Memória e resistência no Quilombo Lunga
O Quilombo Lunga, em Taquarana, é muito mais do que um território: é um espaço onde a memória e a identidade cultural atravessam gerações. A festa bicentenária do Meado de Agosto, que acontece há mais de 200 anos, reafirma essa tradição e o papel fundamental desse território como um núcleo de cultura e resistência.
Este evento reúne mestres e mestras da cultura alagoana, integrantes da comunidade quilombola, educadores, artistas e estudantes, todos conectados por essa vivência de fé e pertencimento local. Em 2026, a festa traz o tema “Em defesa da memória dos territórios tradicionais, nossa cultura viva”, estimulando um diálogo sobre o que significa cultura viva para essas comunidades, e valorizando a importância dos espaços de pertencimento.
Arte, educação e saúde na programação cultural
As atividades no Quilombo Lunga são intensas e variadas. Nos dias 7 e 8 de agosto, aconteceu a Oficina de Muralismo, seguida, em 11 de agosto, pela Oficina de Informática e Portfólio. Além disso, o Projeto Mate Masie, iniciativa da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), oferece assistência à saúde às populações indígenas e quilombolas da região, fortalecendo o cuidado integral dessas comunidades.
Keka Rabelo, relações públicas e produtora cultural, destaca a importância da festa para a resistência e visibilidade cultural: “Trabalhar em núcleos e fortalecer uma festa bicentenária nos faz entender que o trabalho em rede potencializa o território como um todo, por regiões, pelo nosso Estado, pelo nosso país.”
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Fonte: odiariodorio.com.br
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Fonte: londrinagora.com.br
Programação do Meado de Agosto
No dia 14 de agosto, a programação começa às 14h com oficinas, seguida pelo lançamento do documentário “Quilombo Lunga e as Batukadeiras de Cabo Verde” às 19h30. No dia 15, o ritual afro-brasileiro do Catiço Palácio de Ogum, conduzido por Pai Tonho de Ogum, abre as atividades às 6h30.
Às 9h, uma roda de diálogo discute a memória e a defesa dos territórios tradicionais, com palestras e participação de jovens raízes Kariri Xocó e mestras do Quilombo Lunga e Porto Real do Colégio. O cortejo pau e lata, tradicional em Palmeira dos Índios, também integra a manhã.
A tarde inclui novena, procissão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, leilão e atrações no palco, que reúnem artesãos e artistas locais. Entre eles, mestras como Cistina e Tonha das Ervas, além de nomes da música e poesia, como Gina Baruk, Carlos Xurú, Big4jiu Lost e Nique Vitorino, reforçam a diversidade cultural presente.
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Fonte: gpsbrasilia.com.br
O evento destaca ainda apresentações de grupos culturais como a Banda Brilho da Raça, o Afoxé Ofa Omim e o Batuque das Poderosinhas, além de oficinas e shows que valorizam o coco e outras manifestações tradicionais, com participação de estudantes dos Quilombos Lunga e Mameluco.
Parcerias e coordenação do evento
A Festa Bicentenária do Meado de Agosto é fruto de uma parceria entre o Projeto Memória e Produção em Territórios Culturais – AL, Consciência Lunga (Quilombos Lunga e Mameluco) e Mundaú Lagoa Aberta (Lagunas Mundaú e Manguaba), com execução do Instituto Quintal Cultural. A realização fica por conta do Ponto de Cultura Quilombo Lunga, sob coordenação geral de Tonha do Espírito Santo e coordenação de produção e comunicação de Keka Rabelo.
A direção artística é assinada pelo grupo Bico de Fulô, enquanto o Bureau de Comunicação e o PIEX, projeto de extensão do curso de Relações Públicas da Ufal, contribuem com comunicação, economia solidária, criatividade e ativismo, orientados pela professora Manuela Callou.

