Crescimento acelerado das arboviroses em Alagoas
Alagoas vive uma situação de alerta diante do avanço acelerado das arboviroses dengue, chikungunya e zika. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), referentes ao período de 1º de janeiro a 17 de julho, mostram um aumento expressivo no número de casos dessas doenças em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Essa tendência acompanha uma estimativa do Departamento de Saúde Ambiental do Ministério da Saúde, que indica que mais de 90% dos municípios brasileiros estão em risco de surtos dessas infecções transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Chikungunya lidera crescimento e registra mortes inéditas
A chikungunya é a arbovirose que mais preocupa no estado, com um salto de 517 para 1.298 notificações, representando um aumento de 151,1%. Além do crescimento dos casos, o estado confirmou dois óbitos causados pela doença, algo que não ocorreu no mesmo período do ano passado. A dengue também apresentou aumento, passando de 2.863 para 3.323 casos prováveis, um crescimento de 16,1%, com duas mortes confirmadas. Por sua vez, a zika, apesar de registrar um volume menor, teve o número de casos mais que triplicado, subindo de 12 para 41, sem registro de óbitos.
São Miguel dos Campos em situação crítica e ações intensificadas
No interior, o município de São Miguel dos Campos enfrenta uma situação crítica, acumulando 501 casos de dengue e 641 de chikungunya. A cidade contabilizou três mortes por chikungunya, incluindo uma recém-nascida de 18 dias e um caso envolvendo mãe e filha. Para conter essa escalada, a prefeitura intensificou mutirões, aplicação de inseticidas e outras medidas. Segundo o secretário de Saúde Ademir Vieira, equipes de endemias, agentes comunitários, vigilância sanitária e o uso do carro fumacê compõem a estratégia. Além disso, o município reforçou a aplicação de larvicida em calhas e terrenos baldios, com previsão de reaplicação utilizando drones na próxima semana.
Leia também: Caraguatatuba Expande Vacinação Contra Dengue para Profissionais de Saúde e Pessoas com 59 Anos
Fonte: belembelem.com.br
Leia também: El Niño pode aumentar casos de chikungunya e dengue no Brasil
Fonte: atividadenews.com.br
Prevenção e conscientização como pilares do combate
A Sesau, por meio do Programa Estadual de Controle de Zoonoses, tem promovido ações de conscientização e capacitação para os 102 municípios alagoanos. Técnicos municipais e agentes de combate às endemias recebem treinamento para manejo clínico dos pacientes e busca ativa dos focos do mosquito. No entanto, a secretaria reforça que o engajamento da população é essencial, já que estudos do Instituto Oswaldo Cruz indicam que entre 70% e 80% dos criadouros do Aedes aegypti estão em ambientes domésticos. Para evitar a proliferação, é fundamental eliminar acúmulo de água em locais como vasos de plantas, pneus, garrafas e caixas d’água, além do uso de repelentes em áreas de risco e instalação de telas em janelas e portas.
Orientações para quem apresentar sintomas
Em casos de sintomas como febre, dores no corpo e articulações, manchas vermelhas na pele ou dor de cabeça intensa, a população deve buscar imediatamente atendimento na unidade de saúde mais próxima para diagnóstico e acompanhamento. A atenção precisa ser redobrada em grupos vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão e doenças cardíacas. Para esses grupos, os cuidados devem ser rigorosamente ampliados para evitar complicações.
Leia também: São Paulo Expande Vacinação Contra Dengue; Veja Quem Pode Receber a Dose
Fonte: ctbanews.com.br
Desafios do controle e a importância da vacinação
O controle das arboviroses é dificultado pela complexidade do vetor Aedes aegypti e pela ausência de imunização em larga escala para todas as doenças. O infectologista Fernando Maia destaca que, enquanto existe vacina para dengue, a chikungunya ainda não conta com imunização disponível. “O controle depende da ação conjunta do poder público e da população, e a responsabilidade deve ser compartilhada para evitar o agravamento do quadro”, ressalta. Ele reforça que a luta contra essas doenças só será eficaz quando houver vacinas para todas elas, mas enquanto isso, o esforço coletivo em prevenção é fundamental para conter a disseminação do mosquito e, consequentemente, das arboviroses em Alagoas.

