Indefinição de JHC movimenta cenário político em Alagoas
A disputa pelo Governo de Alagoas segue sem definição clara, provocando movimentações intensas entre os grupos políticos, com as eleições estaduais a pouco mais de dois meses. O deputado federal Arthur Lira (Progressistas-AL), pré-candidato ao Senado, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan Maceió, na segunda-feira, 21, que a federação União Progressista pode lançar um candidato próprio ao Palácio República dos Palmares caso o ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) não formalize seu posicionamento.
Prioridade na espera pela decisão de JHC
Lira destacou que a prioridade do União Progressista é aguardar a definição de JHC sobre o apoio que dará na disputa estadual. O deputado acredita que a decisão será adiada até o final das convenções, marcadas para 5 de agosto. Ele relembrou o apoio que deu a JHC no segundo turno das eleições municipais de 2020 e o trabalho para que o então prefeito disputasse o governo estadual em 2022 contra o grupo liderado pelo governador Paulo Dantas (MDB) e o senador Renan Filho (MDB). Contudo, a aproximação entre ambos esfriou, evidenciada pela ausência de JHC no lançamento da pré-candidatura de Lira ao Senado, em março.
Na entrevista, Lira afirmou que seu mandato na presidência da Câmara sempre esteve disponível para Maceió e que não há impedimento para formar aliança com JHC. Contudo, indicou que a indefinição do ex-prefeito pode levar o União Progressista a lançar candidatura própria: “Se isso não acontecer, nós provavelmente vamos ter um candidato próprio”.
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Disputa ao Senado e estratégias partidárias
O deputado conta com o apoio da família Bolsonaro na pré-candidatura ao Senado, enquanto o PL trabalha para lançar o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato à outra vaga. Sem um nome próprio para o governo, ambos defendem uma composição com JHC, que enfrentaria Renan Filho, principal nome do campo governista e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
JHC deixou o PL no final de março após perder o comando estadual para decisão do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. O ex-prefeito manifestou insatisfação com a falta de autonomia para montar a chapa, uma vez que o PL já havia reservado uma vaga ao Senado para Lira. Posteriormente, JHC se filiou ao PSDB e assumiu a presidência do diretório estadual.
Possibilidade de candidatura própria e impacto nas alianças
Para Lira, uma candidatura própria da União Progressista consolidaria o posicionamento da federação no estado, ainda que ele acredite que JHC manterá a indefinição até o período das convenções. Alfredo Gaspar também condiciona uma possível aliança ao posicionamento nacional de JHC, afirmando que apoiaria o ex-prefeito “desde que ele não apoie Lula”. Mais tarde, endureceu o discurso, destacando que o apoio dependerá exclusivamente do alinhamento presidencial e que o PL poderá buscar candidatura própria ao governo caso não haja entendimento.
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Integrantes do PL avaliam que a saída de JHC da legenda reduziu as alternativas para disputar o Executivo estadual, especialmente diante do interesse do ex-prefeito em apoiar a reeleição da mãe, a senadora Eudócia Caldas (PSDB).
Reflexos na disputa ao Senado e principais adversários
As articulações para a sucessão estadual impactam diretamente a disputa pelas vagas ao Senado. Alfredo Gaspar tem maior identificação com o eleitorado bolsonarista, o que pode dificultar a estratégia de Lira para ampliar sua presença entre eleitores de direita. No grupo de Lira, a avaliação é que o cenário mais favorável seria um confronto direto contra o senador Renan Calheiros (MDB), adversário histórico do deputado e nome apoiado pelo presidente Lula em Alagoas.
No campo governista, o MDB definiu os candidatos ao Senado: Renan Calheiros tentará o quinto mandato consecutivo, e o deputado estadual José Wanderley Neto, o Dr. Wanderley, ocupará a segunda vaga da chapa. Durante a janela partidária, Calheiros convidou publicamente JHC para ingressar no MDB, mas a filiação não avançou. O PT também buscou diálogo com JHC, tentando fortalecer um entendimento com Lula após a indicação da desembargadora Marluce Caldas, tia de JHC, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em agosto do ano anterior.

