O Soldado que Se Tornou Referência na Corrida
Bruno Ítalo Alves, soldado do Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam), se destacou na Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) como uma figura exemplar no mundo do esporte, especialmente na corrida de rua. Desde que ingressou na corporação em 2020, o militar tem equilibrado sua carreira com a prática esportiva. Ele não apenas mantém sua disciplina pessoal, mas também serve como um motivador para seus colegas, incentivando-os a buscarem uma vida mais saudável. Nesse sentido, Bruno se torna a mais recente inspiração da série de reportagens especiais “Além da Farda”.
“Promover a saúde ao meu redor é uma missão que abraço com seriedade. É um propósito que levo comigo e que me faz sentir responsável por conscientizar as pessoas sobre a importância da atividade física e da prevenção. A corrida é fundamental nesse processo. É através dela que transformei a minha vida e hoje acompanho tantas histórias interessantes de superação”, afirmou Bruno Ítalo, em tom reflexivo.
A Infância e os Desafios de Bruno
Nascido em uma casa simples na periferia de Maceió, Bruno compartilhou seu único quarto com a mãe, avós e um tio. Sua trajetória é marcada por desafios, disciplina e um espírito generoso. Filho de um proprietário de circo e de uma dona de casa, ele cresceu em um ambiente de dificuldades financeiras, mas cercado por exemplos de trabalho duro e dignidade.
Seu pai, à frente de um circo popular, o levava para as apresentações aos finais de semana, onde Bruno, aos 12 anos, se apresentava como palhaço sob o nome de “Sementinha Júnior”. Contudo, foram os valores que aprendeu na casa de seus avós que moldaram sua visão de mundo.
“A minha infância foi repleta de desafios, mas essencial para moldar quem sou hoje. Aprendi desde cedo que podemos ajudar os outros se realmente quisermos. Essa ideia de fazer a diferença ficou gravada em mim”, disse Bruno.
Educação como Chave para o Futuro
Em um contexto onde poucos em sua família haviam completado a educação formal, Bruno escutou atentamente os conselhos da avó sobre a importância de se esforçar para garantir um futuro melhor. Antes de seguir seu caminho, trabalhou em diversas funções como ajudante de pedreiro, instalador de internet e caixa de farmácia.
Foi em um hospital que ele vislumbrou novas oportunidades. Ao observar profissionais bem-sucedidos, reacendeu o sonho de cursar Educação Física. Embora achasse que o ensino superior era um sonho distante, a chance surgiu com uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni).
A rotina de Bruno se tornou intensa. Ele trabalhava de manhã, estudava à noite e ainda conseguia treinar de madrugada, muitas vezes percorrendo até 200 quilômetros por semana de bicicleta. Após uma tentativa frustrada, o soldado foi aprovado no concurso da Polícia Militar no ano seguinte, fazendo a promessa de ajudar outros candidatos a se prepararem para o Teste de Aptidão Física (TAF).
Solidariedade e Formação de Cidadãos
“Vários colegas passaram comigo na prova teórica de 2018 e estavam nervosos em relação ao teste físico, visto como a maior dificuldade. Decidi ajudar, oferecendo treinamentos voluntários em grupo na praia. A cada aprovação, minha felicidade era imensa”, relembra Bruno.
Como forma de retribuição, cada participante levava um quilo de alimento semanal, que era doado à sua avó, que então distribuía entre familiares e vizinhos necessitados. Hoje, além de ser um corredor, Bruno também atua como professor, orientando colegas policiais durante os treinos na academia da Rotam.
Um Exemplo a Ser Seguido
A soldado Karinne Santos, do Batalhão de Trânsito, é uma das pessoas que tiveram a oportunidade de treinar com Bruno e testemunhou de perto seu trabalho. “Lembrar do Bruno me faz acreditar na bondade humana. Ele ofereceu seu tempo e conhecimento, sem esperar nada em troca, preparando uma turma enorme de aprovados no concurso de 2018. O que ele pediu em troca? Apenas alimentos para ajudar ainda mais pessoas”, contou Karinne.
“Embora eu não seja uma corredora profissional, foi a influência dele que me fez começar a correr há oito anos. O gesto dele de ajudar aqueles que nada podiam oferecer é um exemplo de grandeza”, completou.
A Corrida como Catalisadora de Mudanças
Para Bruno, o esporte não apenas transforma vidas, mas também promove a união. “A corrida, em particular, conecta pessoas de diferentes classes sociais. Muitos atletas de menor condição podem ser extremamente talentosos, mas necessitam de apoio. Igualmente, aqueles em melhores condições podem contribuir, doando um par de tênis que não usam mais”, explica. “A corrida vai além da superação; é uma verdadeira ferramenta de inclusão!”, enfatizou.
Ao relembrar seu início na corrida aos 16 anos, Bruno comenta que substituía a tecnologia de hoje por métodos tradicionais, como usar o Google Maps apenas para medir distâncias. “Eu treinava de maneira simples, marcando postes e buscando sempre melhorar meu desempenho. Com o tempo, médicos do hospital começaram a me apoiar com inscrições em corridas e equipamentos.”

