Análise in loco do Plano de Gestão Integrada da Orla Marítima de Maceió
Nesta sexta-feira (23), uma equipe do Instituto de Pesquisa, Planejamento e Licenciamento Urbano e Ambiental de Maceió (Iplam) promoveu uma visita técnica à Unidade de Planejamento UP3 do Comitê de Gestão da Orla. A ação, que contou com a presença de integrantes da sociedade civil, acadêmicos e representantes de diversas entidades públicas, teve como meta realizar uma leitura territorial e um diagnóstico das condições atuais da Orla Marítima de Maceió no âmbito do Plano de Gestão Integrada (PGI).
O PGI se destaca como um dos principais instrumentos de gestão costeira, permitindo a consolidação de políticas públicas voltadas para o ordenamento da zona costeira. Seu foco está em equilibrar a exploração econômica, a conservação ambiental e as necessidades sociais da região.
Durante a visita, os participantes inspecionaram as fozes dos principais rios que cortam a área, com a intenção de embasar encaminhamentos técnicos e entender a situação local, especialmente em relação à erosão costeira e ao acesso às praias. O grupo percorreu três trechos diferentes dentro da UP3, utilizando as fozes do Rio Sauaçuhy, do Rio Pratagy (Praia da Sereia) e do Rio Jacarecica como pontos essenciais para análise.
A diretora técnica do Iplam, Maya Neves, destacou a importância da visita em relação às discussões realizadas nas reuniões do ano anterior. ‘O território é muito dinâmico e a ocupação muda rapidamente. Nossa abordagem deve estar sempre alinhada ao que ocorre atualmente. Não podemos nos limitar a reuniões em ambientes fechados; é fundamental verificar situações como o surgimento de comércios na faixa de areia ou o avanço da erosão’, afirmou Neves.
Contribuições Acadêmicas e Ambientais
A visita técnica também contou com a participação do oceanógrafo e professor do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Gabriel Le Campion. Ele desempenhou um papel importante ao identificar pontos de atenção ambiental e fornecer auxílio técnico, atuando como uma capacitação para os membros do Comitê Gestor.
Divisão em Unidades de Planejamento
Para otimizar o estudo dessas áreas, a costa de Maceió foi segmentada em Unidades de Planejamento (UPs). Paula Rangel, diretora executiva de Estratégia e Planejamento Territorial, explicou que essa divisão é fundamental para entender as particularidades de cada região. ‘A subdivisão foi feita em três recortes para melhor análise. A UP3, foco de nossa visita, vai de Jacarecica até Ipioca e se diferencia pela tipologia de ocupação. Enquanto a UP2 é uma área urbana densamente consolidada, a UP3 apresenta um padrão de urbanização distinto, exigindo um olhar diferenciado para os aspectos de preservação ambiental’, destacou Rangel.
A divisão das UPs ocorre da seguinte forma: UP1 abrange Do Pontal da Barra a Jaraguá, UP2 vai de Pajuçara até Jacarecica, e UP3 se estende de Jacarecica até Ipioca.
Roberto Monteiro, agente de fiscalização ambiental do Iplam, enfatizou a relevância técnica dessa observação de campo para o futuro do planejamento urbano da capital. ‘Como o Comitê é um colegiado paritário, que une poder público, academia e sociedade civil, essa vivência conjunta de diferentes cenários de intervenção humana é crucial. Ao observar a realidade de cada trecho, conseguimos chegar a conclusões mais precisas e definir soluções concretas nas próximas reuniões’, ressaltou Monteiro.

