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    Início»Política»Câmara Aprova PEC que Modifica Prerrogativas Parlamentares com Votação Secreta
    Política

    Câmara Aprova PEC que Modifica Prerrogativas Parlamentares com Votação Secreta

    17 de setembro de 2025
    Imagem do artigo
    Mudanças na legislação trazem de volta regras de 1988, mas criam novas blindagens para parlamentares
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    Mudanças nas Regras Parlamentares

    Nesta terça-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as prerrogativas dos parlamentares. O novo texto possibilita que os deputados e senadores possam barrar a prisão de colegas, mesmo que determinada pela Justiça, através de uma votação secreta. No primeiro turno, a votação teve um expressivo apoio, com 353 votos a favor e 134 contra, além de uma abstenção. No segundo turno, o resultado foi de 344 a favor e 133 contra.

    Os defensores da PEC alegam que a proposta restabelece normas que estavam em vigor na Constituição de 1988. Contudo, a iniciativa acrescenta novas camadas de proteção, como a possibilidade de utilizar a votação secreta para autorizar prisões.

    Para que a proposta fosse aprovada, eram necessários 308 votos, e o placar final superou essa marca, totalizando 353 a 134.

    Próximos Passos e Impedimentos

    Leia também: A Crise da Câmara dos Deputados: A Implosão do Poder Legislativo Brasileiro

    O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), já se manifestou, declarando que o texto não passará pela comissão. Após ser aprovada na Câmara, a PEC precisa ainda da validação do Senado para se tornar lei, e a CCJ é um passo essencial nesse processo.

    A aprovação da PEC foi resultado de negociação liderada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em uma tentativa de apaziguar uma crise que envolveu deputados da oposição, os quais ocuparam a Mesa Diretora em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Embora a proposta tenha entrado em pauta no início do mês, a votação foi adiada devido à falta de consenso sobre seu conteúdo. O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez alterações no relator da proposta e anunciou a votação nesta terça-feira.

    Conteúdo da PEC e Implicações

    Leia também: A Crise da Câmara dos Deputados: A Implosão do Poder Legislativo Brasileiro

    De acordo com o deputado Claudio Cajado (PP-BA), que emitiu parecer favorável, a PEC não só permite que os parlamentares impeçam a prisão de colegas, mas também exige que a Câmara e o Senado autorizem a Justiça a processar parlamentares, criando um foro privilegiado para presidentes de partidos.

    “Não há inovações no texto; ele é uma reafirmação do fortalecimento dos mandatos parlamentares. É uma pauta que transcende as divisões entre direita e esquerda”, comentou Motta.

    Medidas Cautelares e Foro Privilegiado

    A PEC também detalha que apenas o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá expedir medidas cautelares contra parlamentares, excluindo instâncias inferiores. Segundo a proposta, o STF deve solicitar autorização à Câmara e ao Senado antes de processar um parlamentar.

    Os deputados e senadores terão o prazo de até 90 dias, a partir da solicitação, para votar e decidir, em votação secreta e com maioria absoluta, se autorizam o processo contra o colega.

    Em situações de prisão em flagrante por crime inafiançável, os autos devem ser enviados à Câmara ou ao Senado num prazo de 24 horas para que, por meio de votação secreta, seja decidida a autorização ou não da prisão e a formação de culpa do parlamentar.

    A proposta ainda amplia o foro privilegiado, incluindo presidentes de partidos com assento no Congresso Nacional. Assim, em casos de infrações penais comuns, esses presidentes também serão processados e julgados no STF, seguindo o mesmo procedimento aplicado ao Presidente da República, Vice-Presidente, membros do Congresso, ministros do STF e o Procurador-Geral da República.

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