Imersão técnica inspira avanços na agricultura alagoana
Uma comitiva do Sebrae Alagoas regressou do Sul da Bahia com importantes inovações que integrarão o projeto Experimentação Café e cacau. A iniciativa visa modernizar o agronegócio local, diversificar atividades rurais e agregar valor aos cultivos de café e cacau no estado. A experiência prática e contatos estratégicos feitos durante a viagem já começam a moldar as ações que beneficiarão diretamente os produtores alagoanos.
Diretrizes práticas para o campo
Henrique Soares, gerente da Unidade de Competitividade Setorial (UCS) do Sebrae Alagoas, e Cristina Loureiro, analista da mesma unidade e gestora do projeto, foram os responsáveis por consolidar as parcerias e trazer orientações úteis para o trabalho em campo. Uma das principais aprendizagens veio do Centro de Inovação do Cacau (CIC), laboratório referência na avaliação da qualidade, produtividade e rastreabilidade das amêndoas. A equipe aprendeu como os agricultores poderão enviar amostras via correio para análise técnica, eliminando a necessidade de grandes investimentos em laboratórios locais.
Além disso, o projeto se alinhará às exigências ambientais e de rastreabilidade do mercado. A Nota de Sustentabilidade, que avalia a responsabilidade socioambiental das propriedades, mostrou-se fundamental para acesso a mercados mais lucrativos e premiações. Para fortalecer essa cadeia, o Sebrae Alagoas buscará conhecer o modelo aplicado em Rondônia, com foco em capacitações sobre fermentação e secagem para a produção de cacau fino.
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Sinergia entre cacau e café amplia oportunidades
Outra inovação importante é o aproveitamento da sinergia entre o cacau especial e o café de qualidade. Essa união abre espaço para que agricultores desenvolvam novos produtos e serviços, como rotas turísticas, experiências sensoriais e combinações de produtos que aumentam a rentabilidade das propriedades rurais.
Henrique Soares enfatiza que a missão técnica permitiu criar um pacote tecnológico direcionado para o produtor alagoano. “A cacauicultura moderna exige uma tecnologia completa, desde genética clonada até manejo rigoroso no pós-colheita. O Sebrae tem o papel de facilitar esse caminho para o produtor local”, afirma.
Modelos sustentáveis e inovadores do Sul da Bahia
A jornada da equipe pelo Sul da Bahia contou com o apoio do Sebrae local e possibilitou conhecer modelos de negócios baseados no conceito tree-to-bar (da árvore à barra). Entre as referências visitadas está a Fazenda Capela Velha, em Uruçuca (BA), que alia preservação do sistema agroflorestal Cabruca ao turismo pedagógico, atraindo cerca de 100 visitantes diários e obtendo alto retorno na venda direta de chocolates artesanais.
Também foi visitada a Fazenda Riachuelo, produtora dos chocolates Mendoá, que opera em 1.800 hectares de cacau sombreado em Mata Atlântica e utiliza a maior barcaça de secagem do país, em Ilhéus. O processo rigoroso de fermentação de seis dias assegura a qualidade premium dos produtos.
Consolidação e próximos passos em Alagoas
As diretrizes adquiridas na Bahia abrem uma nova fase para o desenvolvimento agrícola em Alagoas. Cristina Loureiro destaca o potencial do estado para se destacar na cacauicultura de qualidade. “Alagoas tem um campo fértil para escrever uma história de sucesso no setor. As parcerias e aprendizados vão se traduzir em tecnologia, conhecimento e incremento da renda dos produtores”, afirma.
Com o encerramento da missão técnica, o Sebrae Alagoas estrutura o plano de ação que prevê capacitações técnicas em campo, diagnósticos de qualidade e a criação de novas oportunidades de negócios. A expectativa é transformar o cenário rural, promovendo inovação e sustentabilidade no agronegócio local.
