Indefinições e disputas nas chapas para o governo de Alagoas
A quatro dias do encerramento do prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral, as definições das chapas dos principais pré-candidatos ao governo de Alagoas permanecem incertas. A movimentação do ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSDB), conhecido como JHC, é aguardada por aliados e adversários, já que ele hesita há meses em se posicionar de forma definitiva na disputa pelo estado.
Na semana passada, pressionado, o tucano não compareceu à convenção partidária que o confirmou como cabeça da chapa, evento no qual precisou reavaliar a composição da candidatura ao Senado, após o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) ter assumido a vice de Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto JHC ainda pondera seus próximos passos, seu principal adversário, Renan Filho (MDB), segue com uma “vice-tampão” em sua chapa, demonstrando que a disputa está longe de se consolidar.
Convocações partidárias e articulações para o Senado
No último dia 5, data limite para as convenções partidárias, a Federação PSDB-Cidadania anunciou JHC como candidato ao governo. Contudo, o próprio ex-prefeito esteve ausente na cerimônia realizada na Associação Comercial de Maceió, onde o vice-presidente da federação no estado, Régis Cavalcante, fez a declaração oficial. A ata da convenção não menciona explicitamente o nome de JHC, apenas que os partidos indicariam candidato próprio, delegando à Comissão Executiva a definição até o dia 15. Também não foram divulgados nomes para o Senado.
Reeleito em primeiro turno para a prefeitura de Maceió com 83% dos votos válidos em 2024, JHC renunciou ao cargo em abril, no prazo legal para desincompatibilização, a fim de disputar o pleito estadual. Naquele período, deixou o PL após ser destituído da presidência da sigla no estado pelo líder nacional Valdemar da Costa Neto. A insatisfação do ex-prefeito estava relacionada à limitação na formação de sua chapa, uma vez que uma vaga ao Senado estava reservada para o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
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Movimentações na chapa do PL e impactos para o cenário eleitoral
O Partido Liberal (PL) chegou a lançar Alfredo Gaspar como candidato ao Senado, mas recuou para priorizar sua candidatura como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. Essa movimentação abriu espaço para Arthur Lira no alinhamento da direita, ao menos até o próprio Flávio Bolsonaro mencionar Marina Candia, esposa de JHC, como possível candidata ao Senado, substituindo Gaspar. Entretanto, Marina permanece registrada como candidata a deputada federal na ata da convenção.
Em reunião extraordinária da executiva do PL em Alagoas, foi aprovado que a saída de Gaspar da disputa ao Senado ocorreu exclusivamente pela sua indicação como vice. O partido manteve a possibilidade de que ele retome a candidatura ao Senado caso haja mudanças. Caso Marina Candia confirme sua candidatura, uma nova disputa familiar se desenha no estado, envolvendo a tradicional rivalidade política entre Arthur Lira e o senador Renan Calheiros (MDB). Renan Filho, candidato à reeleição, confirmou seu nome ao lado do deputado estadual José Wanderley Neto (MDB), conhecido como Dr. Wanderley.
Vices indefinidos e negociações no MDB e PSDB
A chapa encabeçada por Renan Filho ainda negocia o nome do vice. O MDB aprovou Marina Lamenha de Freitas Cavalcanti, servidora do Legislativo e auxiliar parlamentar de Renan Calheiros, como nome para a vaga, mas aliados consideram essa escolha temporária, sujeita a mudanças até o dia 15. Durante o evento “Você Fala, Renan Filho Escuta”, o ex-ministro admitiu a possibilidade de substituir sua companheira de chapa para garantir uma composição mais competitiva.
Há especulações de que o PT teria reivindicado o posto de vice, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor, defende outro nome do MDB, Fernando Farias, suplente de Renan Filho no Senado. Caso Farias seja eleito vice, a cadeira no Senado ficaria com Adélia Correia, irmã de Marcelo Victor e segunda suplente. O parlamentar negou discordâncias internas e reafirmou seu apoio à candidatura de Renan Filho.
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No PSDB-Cidadania, a indicação do vice também permanece indefinida. A ata da convenção delega a decisão a JHC, enquanto o bloco União Progressista condicionou o apoio à prerrogativa do PL em indicar o parceiro de chapa. O PDT, integrante da coligação, indicou Ronaldo Lessa, atual vice-governador, para a vaga, destacando o alinhamento partidário com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição nacional.
Alianças políticas e próximos movimentos no cenário eleitoral alagoano
JHC foi alvo de tentativas do PT para integrá-lo ao acordo firmado com Lula, que inclui apoio político em troca da indicação da tia do ex-prefeito, Marluce Caldas, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). O tucano nega ter fechado qualquer acordo, seja com Lula ou com Arthur Lira, que teria negociado um caminho livre para disputar o Senado.
A saída de Alfredo Gaspar do pleito ao Senado fortalece as chances de vitória de Arthur Lira, embora ele ainda possa enfrentar desafios caso a esposa ou a mãe de JHC decida entrar na disputa. A definição das chapas em Alagoas, portanto, permanece em aberto, com forte impacto na configuração eleitoral do estado e seus desdobramentos institucionais nos próximos meses.

