Aumento expressivo na letalidade policial em Alagoas
Em 2025, Alagoas apresentou um crescimento de 54,6% na taxa de mortes da população por intervenção policial, ficando com a terceira maior variação percentual do país. Apenas Rondônia, com um aumento de 485,6%, e Maranhão, com 84%, registraram índices superiores. O dado integra o Anuário Brasileiro de segurança pública 2026, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Taxa de letalidade em Alagoas e comparação regional
O estado alcançou uma taxa de 3,6 mortes por 100 mil habitantes decorrentes de intervenções policiais, ocupando a 10ª posição no ranking nacional e ficando acima da média brasileira, que foi de 3,1 mortes para cada 100 mil habitantes. No contexto do Nordeste, Alagoas aparece como o quarto estado com maior índice, atrás da Bahia (10,6), Sergipe (8,4) e Rio Grande do Norte (4,0). Outros estados da região registraram números inferiores, como Ceará (2,1), Maranhão (2,0), Paraíba (1,4), Pernambuco (1,1) e Piauí (0,9).
Redução das mortes violentas em Alagoas
Embora o aumento na letalidade policial seja preocupante, o anuário aponta que Alagoas atingiu em 2025 o menor índice de mortes violentas desde 2012, quando o estado liderava o ranking nacional com taxas próximas de 70 mortes por 100 mil habitantes. A redução foi superior a 50%, representando a maior queda proporcional entre os estados do Nordeste.
De acordo com o levantamento, a taxa de mortes violentas no estado é de 33,1 por 100 mil habitantes, com quedas expressivas em outras ocorrências, como homicídios dolosos (-11,4%), roubos em geral (-16,6%), roubo de veículos (-24,4%), roubo de celulares (-19,1%) e estupros (-18,1%), esse último com redução superior à média nacional.
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Cenário nacional das mortes por intervenção policial
No Brasil, o ano de 2025 registrou uma média diária de 18 mortes por intervenção policial. Com 6.602 casos, a letalidade policial atingiu o maior número absoluto desde o início da série histórica em 2016, representando 16,2% de todas as Mortes Violentas Intencionais (MVI) do país, a maior participação desde 2014.
Entre 2016 e 2025, o aumento no número de mortes decorrentes de ações das polícias Civil e Militar foi de 55,7%.
Desigualdades regionais nas taxas de letalidade policial
As estatísticas indicam realidades muito distintas entre os estados brasileiros. Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá lidera com a maior taxa, de 17,1 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida vêm Bahia (10,6), Sergipe (8,4) e Pará (7,3), que também foram os estados com as maiores taxas em 2024.
Na outra ponta, os estados com as menores taxas são Roraima (0,4), Distrito Federal (0,5), Rio Grande do Sul (0,7), Piauí (0,9) e Amazonas (0,9), todos com redução nos índices entre 2024 e 2025.
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Reduções e desafios na letalidade policial
Apesar do aumento em grande parte das unidades federativas, dez estados registraram redução nas taxas de letalidade policial em 2025 comparado a 2024. Destacam-se Tocantins, Rio Grande do Sul e Roraima, com quedas próximas de 50%.
O relatório enfatiza que a diminuição da letalidade policial depende menos do fortalecimento da força coercitiva do Estado e mais da melhoria na forma como essa força é utilizada. Isso envolve investimentos em políticas de prevenção da violência, controle do uso da força e policiamento orientado por inteligência.
Segundo o documento, “quanto maior a capacidade de produzir informações qualificadas, identificar alvos prioritários e planejar intervenções, menor tende a ser a necessidade de operações baseadas no confronto direto. A atividade policial deve buscar garantir que o uso da força letal seja sempre a última alternativa, empregada em ambientes controlados e apenas quando estritamente necessária”.
Perfil das vítimas de letalidade policial
O anuário confirma o perfil predominante das vítimas: 97% são do sexo masculino. A taxa de letalidade entre homens em 2025 foi de 6,19 mortes por 100 mil habitantes, um aumento de 6% em relação a 2024, que registrou 5,83. Entre as mulheres, a taxa permaneceu estável em 0,04 mortes por 100 mil habitantes.

