Redução das queimadas em Alagoas em 2025
Alagoas registrou 3.067 hectares queimados em 2025, o que representa uma queda de cerca de 23% em relação à média histórica anual, que gira em torno de 4 mil hectares. Os dados são da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas em Brasília (DF). Essa redução acompanha a tendência nacional, onde a área queimada ficou 31% abaixo da média histórica, colocando Alagoas entre os estados com menor incidência de queimadas no país.
Contexto nacional e histórico
O levantamento indica que Alagoas foi a terceira unidade da Federação com a menor área queimada em 2025, atrás apenas de dois estados. Entre 1985 e 2025, o estado acumulou aproximadamente 140.351 hectares queimados, mantendo-se dentro da faixa de até 500 mil hectares atingidos pelo fogo, distante dos grandes focos registrados em outras regiões, como Centro-Oeste, Norte e parte do Nordeste.
Em âmbito nacional, o Brasil queimou 12,7 milhões de hectares em 2025, quase metade do registrado no ano anterior e 31% abaixo da média histórica de 18,4 milhões de hectares anuais. Essa retração foi impulsionada principalmente pela Amazônia, que registrou a menor área queimada de toda a série histórica, um ano após alcançar o maior índice já observado.
Monitoramento e prevenção como aliados
Segundo Daniel da Conceição, coordenador de Geoprocessamento do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), o bom desempenho do estado resulta de um trabalho contínuo de monitoramento, fiscalização e prevenção, realizado em parceria com órgãos ambientais e de segurança pública. O uso de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), imagens de satélite e análises geoespaciais permite identificar focos de calor e possíveis desmatamentos com uso do fogo, otimizando o direcionamento das equipes de fiscalização.
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Fonte: amapainforma.com.br
Além disso, o IMA/AL promove ações de educação ambiental e orienta a população e produtores rurais para práticas sustentáveis e uso responsável do solo. O acompanhamento dos focos de calor é permanente, possibilitando respostas rápidas diante de irregularidades.
“O monitoramento contínuo é uma das principais ferramentas para prevenir e combater as queimadas no estado. Quando identificamos irregularidades, adotamos imediatamente as medidas administrativas cabíveis”, destaca Daniel da Conceição.
Desafios e atenção durante a estiagem
Apesar dos resultados positivos, o coordenador enfatiza que o principal desafio é manter o trabalho de forma constante, especialmente nos meses de estiagem, quando o clima favorece a ocorrência de incêndios. “É fundamental ampliar a conscientização sobre os riscos do uso irregular do fogo, seus impactos na biodiversidade, nos recursos naturais e na qualidade do ar”, afirma.
Características ambientais que influenciam as queimadas
De acordo com Nerivaldo Afonso, pesquisador da equipe Caatinga e do MapBiomas Fogo, a situação favorável de Alagoas está relacionada às características territoriais e ambientais do estado. A menor extensão territorial e uma pressão agrícola relativamente baixa contribuem para a menor recorrência de queimadas associadas à abertura de áreas e renovação de pastagens.
Além disso, os biomas presentes, como a Caatinga e remanescentes da Mata Atlântica, não possuem regime natural de fogo estabelecido, diferentemente do Cerrado. O fogo que ocorre geralmente está ligado a atividades humanas, como queima de pastagens e limpeza agrícola, reforçando a necessidade de políticas de prevenção focadas no uso humano do fogo.
Panorama dos estados com maior área queimada
O estudo também revela que Alagoas não está entre os estados com maior área queimada e não possui municípios entre os mais afetados no país. Em contrapartida, Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram 47% de toda a área queimada registrada no Brasil desde 1985.
Embora a redução observada em 2025 siga a tendência nacional, os especialistas ressaltam que o monitoramento contínuo das áreas queimadas é essencial para orientar ações eficazes de prevenção e manejo. A série histórica do MapBiomas permite identificar padrões de recorrência, intensidade e distribuição do fogo, apoiando políticas públicas voltadas à conservação dos ecossistemas e à diminuição das queimadas.

