Arte popular e cultura local integradas ao cuidado na Casa do Autista
Quem visita a Casa do Autista de Maceió encontra mais do que um serviço especializado: um ambiente cuidadosamente decorado com mais de 80 obras de arte popular alagoana que convidam à imersão cultural. Essa iniciativa vai além da terapia, promovendo acolhimento e valorização das tradições regionais dentro dos espaços da unidade.
As peças, criadas por artistas e artesãos locais, foram incorporadas à decoração com o intuito de humanizar os ambientes, fortalecer o vínculo com a cultura alagoana e enriquecer a experiência dos assistidos. Distribuídas em áreas de convivência e circulação, essas obras despertam a curiosidade, estimulam a observação e ampliam o contato com diferentes expressões artísticas, tornando o cotidiano mais sensorial e significativo.
Obras e artistas que celebram a cultura alagoana
Dentre as criações expostas, destacam-se os Cactos de Madeira, os Passarinhos da Ilha do Ferro, o Boi Bumbá, o Casal de Guerreiros, a Pedidora de Abraços e a obra A Sereia, além de retratos em filé e cerâmicas decorativas de parede. O acervo reúne o trabalho de nomes como Lucas, Genauro, Jailton e Jamile, todos da Ilha do Ferro, além de Mércia, Maria Amélia, Boioiô, as Rendeiras do Pontal e outros representantes do artesanato local.
Cada obra conta com identificação que traz informações básicas, e um recurso complementar permite o acesso a conteúdos detalhados sobre o contexto cultural, técnicas empregadas e trajetória dos artistas, ampliando o aspecto educativo dessa integração entre arte e cuidado.
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Conceito e impacto da arte no ambiente terapêutico
Para o arquiteto Alisson Melo, responsável pela concepção dos ambientes, a presença das obras reforça o sentimento de pertencimento e o valor da cultura local. “A escolha por artistas alagoanos visa valorizar nossa cultura. Cada peça enriquece o espaço com cores, formas, texturas e narrativas que despertam a curiosidade, estimulam a observação e fortalecem o vínculo com a nossa terra. A arte e a cultura também fazem parte do cuidado, da inclusão e da construção de laços”, afirma.
A diretora-geral da Casa do Autista, a neuropsicóloga Fabiana Lisboa, destaca que a composição visual dos espaços pode favorecer o desenvolvimento dos assistidos. “As cores e formas das obras funcionam como estímulos para percepção e construção de repertório. Inseridos em um ambiente acolhedor, esses elementos incentivam a atenção compartilhada, a comunicação, despertam interesses e proporcionam experiências sensoriais enriquecedoras. Além disso, o contato com referências culturais fortalece a identidade e o sentimento de pertencimento das crianças e adolescentes”, explica.
Benefícios e gestão humanizada da Casa do Autista
Entre os resultados esperados estão a ampliação do repertório cultural dos usuários, o fortalecimento dos vínculos com a comunidade e o estímulo à curiosidade e à descoberta. A iniciativa também contribui para o enriquecimento visual e sensorial dos espaços, além de valorizar as tradições alagoanas para as novas gerações.
Administrada pela organização social Maceió Saúde, a Casa do Autista adota um modelo que integra assistência especializada, inovação e humanização. A diretora-presidente da instituição, Camila Porciúncula, ressalta que a incorporação da arte ao ambiente terapêutico reforça o cuidado integral. “Cuidar é olhar para o indivíduo em sua totalidade. Criar espaços acolhedores promove bem-estar e fortalece vínculos, alinhando gestão eficiente, inovação e sensibilidade para oferecer serviços públicos mais qualificados”, afirma.
Camila também destaca que a experiência na gestão do Hospital da Cidade fortalece projetos assistenciais no município. “O trabalho no hospital mostrou que excelência na saúde pública é alcançável por meio de processos estruturados, uso responsável dos recursos e valorização das equipes. Esse compromisso é levado para a Casa do Autista, sempre colocando as necessidades dos usuários e suas famílias no centro do cuidado”, completa.
Como acessar os serviços da Casa do Autista
Para ter acesso aos atendimentos, é necessário reunir documentos como RG, CPF, Cartão SUS, comprovante de residência, encaminhamento médico da criança ou adolescente e documentos do responsável legal. A entrega deve ser feita no Setor de Protocolo da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Avenida Fernandes Lima, 2335, bairro Farol, onde o processo será aberto.
Após isso, a equipe técnica do setor de Autismo da Secretaria realiza a análise e regulação dos casos, dando prioridade àqueles que ainda não integram a rede pública de saúde, como Centros Especializados em Reabilitação (CER) e serviços contratualizados, e que estejam na fila de espera da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência. Os pacientes são encaminhados gradativamente aos serviços disponíveis, incluindo a Casa do Autista. Caso a demanda supere a capacidade, os solicitantes permanecem em fila respeitando critérios técnicos e de prioridade.

