Avanço da energia renovável no setor sucroenergético de Alagoas
Na busca pela economia de baixo carbono, o desperdício zero deixou de ser apenas uma diretriz de governança ambiental (ESG) para se tornar uma fonte sólida de receita. Em Alagoas, tecnologias energéticas avançam rapidamente no interior, integrando agronegócio, indústria e pesquisa científica de ponta. Uma série especial do Movimento Econômico destaca como essa geração de energia verde impulsiona a nova economia regional.
O setor sucroenergético, em especial, tem ampliado o uso da biomassa para gerar energia, garantindo a autossuficiência das usinas e abrindo espaço para a venda do excedente, que abastece a região com energia limpa. As usinas Caeté, do Grupo Carlos Lyra, localizadas em Igreja Nova (Unidade Marituba) e São Miguel dos Campos (Unidade Matriz), produziram na safra 2025/2026 cerca de 200 mil MWh de energia renovável a partir do bagaço da cana-de-açúcar. Deste total, 40% foram direcionados para irrigação e comercialização no mercado livre, enquanto 60% abasteceram os processos internos.
Na última safra, a Unidade Marituba processou 1.395.468 toneladas de cana-de-açúcar, produzindo 1.937.825 sacos de açúcar e 47.803.286 litros de etanol. A Unidade Matriz moeu 1.857.344 toneladas, gerando 3.241.626 sacos de açúcar e 48.519 metros cúbicos de etanol.
Inovação com energia solar e biocombustíveis flexíveis
Maurício Veras, gerente de manutenção elétrica da Usina Caeté, explicou que além da bioenergia proveniente do bagaço, a Unidade Marituba conta com uma planta solar instalada com capacidade de 0,3 MW. “Nesse cenário de transição energética e busca por eficiência, o setor sucroenergético mantém seu protagonismo na geração de energia renovável em Alagoas”, afirmou.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
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Fonte: feirinhadesantana.com.br
No Litoral Sul, a Cooperativa Pindorama inovou ao incluir milho na matriz de biocombustíveis, garantindo produção contínua e superando o desafio da entressafra da cana. Em 2024, a produção inicial de etanol de milho foi de 12 milhões de litros, saltando para aproximadamente 35 milhões na safra 2025/2026. Além disso, a cooperativa produz 40 mil toneladas de WGD (Wet Distillers Grains), um resíduo proteico aproveitado como ração animal.
Erikson Viana, gerente industrial da Pindorama, destacou os ganhos de eficiência com a planta flex: “Enquanto a usina de cana faz manutenção, produzimos etanol de cereais, ampliando a capacidade produtiva e incorporando automação.”
Biogás e biometano: a nova fronteira para descarbonização
A Pindorama avança no reaproveitamento da vinhaça, resíduo da destilação do etanol, por meio do projeto “Bioenergias Pindorama – Veolia”, uma parceria com a multinacional francesa Veolia. A iniciativa prevê a biodigestão de 350 metros cúbicos por hora de vinhaça de cana, milho e sorgo, com início previsto para o segundo semestre de 2028.
O processo consiste em um reator que retém o resíduo por cerca de 24 horas para gerar gás metano, que será convertido em energia industrial, substituindo combustíveis fósseis. O resíduo restante será usado na fertirrigação dos canaviais.
Erikson Viana detalha: “Cada litro de álcool de cana processado gera 14 litros de vinhaça. A vinhaça dos grãos tem menor teor alcoólico, mas também é reaproveitável.” Quando a planta estiver em plena operação, a cooperativa produzirá 15 toneladas por hora de vapor verde para uso interno e 10 mil metros cúbicos diários de biometano.
O biometano será usado para substituir o diesel nas frotas pesadas da cooperativa e para reduzir em 50% o uso de combustíveis fósseis no posto em Coruripe, evitando a emissão de cerca de 10 mil toneladas de CO₂ por ano.
Biorrefinaria em São Miguel dos Campos impulsiona produção sustentável
Em parceria com as Usinas Caeté e Santo Antônio e a Impacto Bioenergia, a GranBio lançou a pedra fundamental da Exygen I, biorrefinaria inovadora que será a primeira do Brasil a produzir biocombustíveis sustentáveis. Localizada em São Miguel dos Campos, a unidade deve iniciar operações em 2026, com investimento de R$ 1,5 bilhão nos próximos quatro anos.
O projeto prevê a produção anual de 160 milhões de litros de etanol neutro em carbono, utilizando resíduos do açúcar como matéria-prima, além de 50 milhões de metros cúbicos de biometano a partir da vinhaça da cana-de-açúcar. Essa iniciativa reforça a liderança de Alagoas na economia de baixo carbono e na geração de energia renovável com impacto direto na cadeia produtiva regional.

