Alagoas e a força da cultura popular na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura
A cultura alagoana marcou presença significativa na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo. Com representantes de várias regiões de Alagoas, o estado participa ativamente das plenárias, debates e atividades que reúnem agentes culturais, mestres da cultura popular, coletivos, povos tradicionais e gestores públicos de todo o Brasil. Esse encontro reforça a importância da ancestralidade e das tradições locais na construção do panorama cultural nacional.
Cerimônia de abertura com autoridades e avanços para a cultura popular
A cerimônia de abertura, realizada na quinta-feira (21), contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além de representantes culturais de todas as regiões do país. Durante o evento, o Governo Federal assinou o decreto de reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), lançou a Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares e regulamentou a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares, assim como o Programa Festejos Populares do Brasil.
Em seu discurso, o presidente Lula destacou a importância da cultura para o Brasil: “É uma alegria imensa ver de perto a força e a resistência dessa teia tecida a tantas mãos. Uma teia que reverencia o passado, abraça o presente e aponta para o futuro do Brasil que estamos tecendo juntos todos os dias.” Ele ressaltou que, enquanto a educação ensina, a cultura transforma: “Somos admirados no mundo inteiro pela nossa cultura, pela nossa extraordinária capacidade de transformar a essência brasileira em música, literatura, teatro, dança, cinema e artes visuais.”
Programação cultural e representatividade alagoana na abertura
O Auditório Raiz, no Sesc Praia Formosa, recebeu mais de duas mil pessoas para as manifestações artísticas da abertura. Grupos como Guerreiros Tupinikim e Aguidavi do Jeje subiram ao palco, enquanto a cantora Luedji Luna interpretou o Hino Nacional acompanhada por grupos instrumentais tradicionais. Um momento especial para os alagoanos foi a entrada da mestra do Patrimônio Vivo de Alagoas, Vânia Oliveira, que conduziu o estandarte do estado diante das delegações nacionais.
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Ela destacou a emoção de representar Alagoas: “Nunca imaginei viver um momento tão bonito representando a cultura do nosso estado. Entrar com o estandarte de Alagoas ao lado de mestres e mestras de todo o Brasil foi emocionante. A cultura popular segue viva porque o povo mantém essa chama acesa todos os dias.”
Debates e políticas culturais com participação de Alagoas
Representando a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult), o superintendente de Economia Criativa, Fomento e Incentivo à Cultura, Wyllyson Santos, coordenador das ações da cultura viva no estado, participou das discussões sobre políticas culturais, fóruns e articulações da rede Cultura Viva. Para ele, a abertura da Teia simboliza um avanço importante para a Cultura Viva no Brasil.
“As entregas anunciadas pelo Governo Federal, voltadas para mestres e mestras da cultura popular, culturas tradicionais e fortalecimento das políticas culturais, representam avanços importantes para quem constrói cultura nos territórios todos os dias”, afirmou Wyllyson Santos.
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Potência cultural de Alagoas e o papel da Teia Nacional
A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, ressaltou o papel fundamental da Teia como espaço de troca entre os territórios culturais do Brasil. “Ver Alagoas presente com seus mestres, fazedores de cultura, pontos de cultura e representantes da gestão pública mostra a potência cultural do nosso estado e a força das nossas tradições populares”, afirmou.
Durante a solenidade, representantes dos pontos de cultura receberam placas de identificação da Política Nacional Cultura Viva, que reconhece cerca de 16 mil pontos certificados em mais de 2,2 mil municípios brasileiros. O presidente Lula ressaltou a diversidade cultural contemplada: “São 16 mil pontos de luz pulsando nas periferias, favelas, assentamentos rurais, quilombos e territórios indígenas, representando expressões que vão da matriz africana ao hip-hop e demais manifestações contemporâneas.”
Programa Cultura Viva: trajetória e importância para as comunidades
Com 22 anos de existência, o Programa Cultura Viva apoia iniciativas culturais de base comunitária em todo o país e foi oficializado como política nacional em 2014. Após um intervalo de 12 anos, a Teia Nacional voltou a ser realizada, reunindo fóruns, rodas de conversa, apresentações culturais e debates sobre políticas públicas e culturas populares. O evento reforça o compromisso com a valorização das culturas tradicionais e a promoção da circulação artística nos territórios brasileiros.

