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    Início»Cultura»Bienal de Veneza: Protestos e Reflexões na 61ª Edição
    Cultura

    Bienal de Veneza: Protestos e Reflexões na 61ª Edição

    8 de maio de 2026
    Bienal de Veneza: Protestos e Reflexões na 61ª Edição
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    Reflexões sobre o passado e o presente na Bienal

    A 61ª edição da Bienal de Veneza abre suas portas ao público, trazendo à tona discussões sobre colonialismo e a importância da diversidade na arte contemporânea. Após a edição de 2017, o artista Heráclito apresenta sua obra da série “Juntó” e elogia a proposta da curadora Koyo, que busca dar espaço a artistas e pesquisadores do Sul Global. Ele menciona ainda a relevância do camaronês Bonaventure Ndikung, curador-geral da 36ª Bienal de São Paulo, como um exemplo desse movimento.

    O artista baiano recorda com emoção a última vez que se encontrou com Koyo, três meses antes de sua morte, em Chicago. “Ela era uma pessoa fascinante e tive o privilégio de ser amigo dela. Sua morte foi um grande baque”, compartilha Heráclito. Ele ressalta que a Bienal reflete o pensamento de Koyo sobre a geopolítica contemporânea, marcada pela brutalidade da guerra e do imperialismo. “Esta é uma bienal madura, que desafia os estigmas que costumamos atribuir à arte não ocidental, contra os quais lutamos tanto”, afirma.

    Leia também: Bienal de Veneza 2024: Protestos e Reflexões sobre o Colonialismo Marcam a 61ª Edição

    Fonte: rjnoar.com.br

    Leia também: Com curadoria do brasileiro Raphael Fonseca, humanoide será exposto na Bienal de Veneza

    Fonte: gpsbrasilia.com.br

    O artista Neves também expressa sua admiração pela diversidade de países representados no evento. “Muitos países que nunca estiveram em uma Bienal agora têm presença aqui. Compreendi o conceito que Koyo me explicou, mas vendo agora, percebo as conexões, mesmo com origens tão diferentes”, comenta.

    A presença brasileira na Bienal

    Além dos três artistas brasileiros na mostra principal, o pavilhão do Brasil, sob a curadoria de Diane Lima, foi ocupado pelas obras de Rosana Paulino e Adriana Varejão. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a exposição se inspira em uma obra de Rosana e aborda as múltiplas simbologias atribuídas à planta de mesmo nome, refletindo sobre temas como colonialismo, fissuras históricas e a relação com a natureza. “O pavilhão traz à tona questões que desafiam a representação da arte brasileira. É a primeira vez que temos uma curadoria negra com três mulheres, uma delas artista negra”, ressalta Diane.

    Diane ainda enfatiza que a curadoria está em sintonia com o que o mundo espera de um país que é um grande laboratório racial e que, ao longo de sua história, produziu várias violências. “Encontramos tecnologias e estratégias para lidar com essas questões”, diz.

    Adriana Varejão, também presente na Bienal, explica sua abordagem artística: “Sempre trabalhei com o barroco, que não é um estilo associado à natureza, mas à teatralidade. Usei a metáfora do teatro para simular ruínas, deixando vestígios nas paredes da obra”. Ela menciona que, até então, tinha produzido apenas ruínas de carne, mas agora também explora a metamorfose em terra e vegetal, criando uma ligação com a obra de Rosana.

    Conexões entre passado e presente

    Para Adriana, a filosofia africana oferece uma perspectiva única sobre tempo e história. “Na visão africana, não existem começo, meio e fim. Embora falemos sobre a escravidão, observamos que atualmente ainda existem barcos interceptados antes de chegar à Europa, que está cada vez mais fechada à imigração. Estamos abordando o passado e o presente simultaneamente”, explica.

    A Bienal deste ano ainda conta com a participação de Raphael Fonseca, carioca e recém-nomeado curador da 37ª Bienal de São Paulo. Ele é responsável pelo Pavilhão de Taiwan, intitulado “Screen melancholy”, que apresenta obras do artista Yi-Fan Li. Essa diversidade de vozes e experiências enriquece o debate artístico e cultural, reforçando a importância de uma visão plural na arte contemporânea.

    arte contemporânea Bienal de Veneza colonialismo Sul Global
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