Aumento na Cobertura de Saúde em Maceió
Maceió tem registrado um avanço significativo na cobertura de consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos anos. Entretanto, esse crescimento não é acompanhado pela infraestrutura necessária para assegurar um atendimento integral à população. Dados do Datasus apontam que os procedimentos clínicos realizados pela gestão municipal aumentaram 60% na última década, passando de 1,2 milhão em 2015 para cerca de 1,97 milhão em 2025.
Apesar da ampliação, muitos cidadãos em Maceió têm encontrado dificuldades para acessar serviços de saúde adequados. A Agência Tatu investigou a realidade do Laboratório de Análises Clínicas de Maceió (Laclim), que atualmente enfrenta a falta de insumos para a realização de exames hormonais. Além disso, o sistema de agendamento Pronto apresenta congestionamentos frequentes, resultando em filas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Reconhecimento dos Problemas pela Secretaria de Saúde
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reconhece os obstáculos enfrentados, mas atribui a situação ao crescimento da rede de atendimento. Embora promissora, a melhoria na infraestrutura de saúde carece de prazos definidos para implementação.
Na última quarta-feira (25), a Agência Tatu tentou agendar um exame pelo canal do Pronto no WhatsApp, mas não obteve sucesso. O sistema respondeu automaticamente que o atendimento estava temporariamente indisponível devido à alta demanda. Em uma nova tentativa, durante o horário de funcionamento, o canal informou que as marcações eram aceitas apenas entre 7h e 15h, encerrando novamente a tentativa de agendamento.
No atendimento da UBS do José Tenório, a equipe explicou que apenas as 15 primeiras pessoas conseguiriam marcar consultas. Essa limitação obriga os pacientes a chegarem cedo para garantir atendimento.
Na UBS João Macário, no bairro Santos Dumont, o atendimento era restrito a indivíduos que já estavam na fila até as 13h, resultando em mais de duas horas de espera para os que buscavam atendimento.
Fragmentação e Dificuldade de Acesso aos Exames
A dificuldade de acesso se reflete na fragmentação do atendimento. Um paciente relatou ter conseguido agendar apenas uma parte dos exames pelo WhatsApp, sem retorno sobre os restantes. Ao contatar o Laclim, foi comunicado que exames laboratoriais, como dosagens hormonais e vitaminas, não estavam sendo realizados desde novembro, devido à falta de insumos.
Outro ponto problemático é o encaminhamento para laboratórios distantes das residências dos pacientes, o que dificulta o acesso à saúde, especialmente para aqueles com limitações financeiras ou de mobilidade.
Crescimento da Demanda sem Acompanhamento da Estrutura
Dados do Datasus revelam uma expansão significativa na oferta de consultas nos últimos anos, com um aumento notável a partir de 2022. Em 2024, foram registrados mais de 1,85 milhão de procedimentos clínicos, com expectativa de quase 2 milhões em 2025.
Esse crescimento corre em paralelo ao surgimento de novos programas de atenção básica e à implementação de equipamentos públicos de saúde, tanto municipais quanto estaduais. Contudo, essa expansão não se traduziu em maior capacidade para realização de exames, uma etapa crucial para diagnóstico e tratamento dos pacientes.
Resposta da SMS e Medidas Futuras
Ao serem questionados pela reportagem, representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió reconheceram os desafios, mas enfatizaram que o aumento da demanda impactou o atendimento. Segundo a SMS, não houve interrupções nos serviços de agendamento, embora o aumento de solicitações possa ter gerado instabilidades e tempos de espera maiores.
A pasta assegurou que ações estão sendo planejadas para ampliar a capacidade de atendimento, com expectativa de normalização gradual nos próximos dias. No entanto, não foram divulgados prazos ou detalhes específicos sobre as medidas.
Sobre as limitações de atendimento nas UBS, a secretaria afirmou que não há um fluxo de trabalho que limite atendimentos ou distribua fichas numéricas, mas reconhece que a organização pode incluir listas nominais para um melhor controle do fluxo.
Além disso, a secretaria confirmou que o Laclim não realiza exames hormonais, atribuindo essa situação a “ajustes pontuais no fornecimento de insumos”, sem esclarecer quais seriam. Os outros exames, segundo a administração, continuam sendo realizados normalmente.
Em relação ao direcionamento dos exames, a SMS afirmou que este é baseado em critérios técnicos, considerando a disponibilidade da rede, o tipo de exame, a residência do paciente e a capacidade operacional dos prestadores, e reforçou que a cidade conta com 31 laboratórios conveniados ao SUS.
A SMS reafirmou suas intenções de melhorar a capacidade de atendimento, mas sem oferecer um cronograma concreto. “A normalização deve ocorrer de forma progressiva nos próximos dias”, concluiu.

