Inovações na saúde ganham destaque no South Summit Brazil
Os sistemas de saúde enfrentam desafios significativos, como o aumento dos custos, o envelhecimento da população e a crescente demanda por serviços. Esses fatores, que antes eram vistos apenas como crises, agora impulsionam transformações importantes. Essa foi a essência do painel intitulado “Saúde em transição – transformando pressões do sistema em inovação e novos modelos de valor”, realizado nesta sexta-feira, 27 de março, durante o South Summit Brazil 2026, em Porto Alegre. O evento, que tem como foco a inovação, é correalizado pelo Governo do Rio Grande do Sul.
O painel reuniu representantes do setor público, da saúde suplementar e da área de tecnologia, possibilitando um debate rico sobre como novas ideias, soluções digitais e parcerias inovadoras estão reformulando a forma como os cuidados em saúde são organizados, financiados e implementados. A proposta central foi refletir sobre a transição de um modelo fragmentado, que prioriza procedimentos, para um modelo integrado, voltado para resultados concretos e o valor efetivo para os pacientes e para todo o ecossistema da saúde.
O paciente como foco central do cuidado
A diretora do Departamento de Gestão da Atenção Especializada (DGAE) da Secretaria da Saúde, Lisiane Fagundes, destacou os enormes desafios enfrentados pelo sistema de saúde e enfatizou que, para lidar com as crescentes pressões, não basta aprimorar o modelo atual; é imprescindível transformá-lo. Lisiane afirmou que a crise atual na saúde não é apenas pontual, mas sim estrutural, e a solução envolve três mudanças interdependentes: colocar o paciente no centro do cuidado, modificar o modelo de financiamento e integrar a informação como base fundamental para a tomada de decisões e planejamento.
“O debate não é sobre fazer melhor o mesmo modelo. É sobre mudar o modelo”, declarou Lisiane. Ao abordar o primeiro ponto, ela ressaltou que, apesar dos discursos sobre a centralidade do paciente, o sistema ainda opera de maneira fragmentada, focando mais na oferta de serviços do que na jornada dos indivíduos. Essa abordagem resulta em desperdício, duplicidade de ações e uma baixa capacidade de resolução.
A gestora defende a implementação de um modelo baseado no valor em saúde, onde o foco se muda da quantidade de procedimentos para o impacto real na vida do paciente. Exemplos como os programas SERMulher RS, Saúde 60+ RS e TEAcolhe foram citados como iniciativas que organizam o cuidado de maneira contínua, integrando diagnóstico, acompanhamento e desfecho. “Ao organizar a linha de cuidado, deixo de tratar eventos isolados e passo a cuidar da pessoa como um todo”, resumiu Lisiane.
Financiamento e informação integrada como pilares da mudança
O segundo ponto abordado por Lisiane foi considerado o mais fundamental. Ela destacou que não haverá mudança real no cuidado sem a reformulação do modelo de financiamento da saúde. Atualmente, o sistema remunera principalmente a produção, procedimentos isolados e volumes, o que muitas vezes resulta em ineficiência.
A proposta é adotar um modelo que remunere o que realmente importa: acesso, qualidade e resultados assistenciais. Nesse contexto, o Programa Assistir foi apresentado como um mecanismo para induzir essa mudança, utilizando critérios objetivos, promovendo regionalização e incentivando uma organização mais racional dos serviços oferecidos. “Se remuneramos de forma inadequada, organizamos o sistema de maneira errada. Não há transformação no modelo assistencial sem uma mudança no financiamento”, enfatizou.
Lisiane também destacou a importância da informação, que considera a infraestrutura invisível que sustenta qualquer transformação no sistema de saúde. A falta de interoperabilidade, segundo ela, ainda impede o acompanhamento da jornada do paciente, dificultando a integração dos dados assistenciais e a geração de informações que possibilitem decisões estratégicas efetivas, mantendo uma gestão reativa.
“Falar em saúde digital sem integração é acreditar em um avanço ilusório. Dados são apenas ferramentas de gestão e cuidado”, concluiu, defendendo o uso de informações em tempo real para aprimorar a regulação, o planejamento e os cuidados. “A nova era da saúde não é digital, mas integrada”, finalizou.
Encerrando sua participação, Lisiane enfatizou que os três pontos discutidos não podem ser vistos isoladamente. O foco no paciente, o financiamento alinhado e a informação integrada representam um movimento coeso e necessário para a transformação do sistema de saúde. “O maior erro que podemos cometer é tentar resolver os desafios de hoje com a lógica do passado. A transformação na saúde não é mais uma escolha, é uma necessidade”, concluiu.
O painel também contou com a participação de Ricardo Galho, CEO da 4ALL, que moderou a discussão, e Leno Almeida, diretor da Círculo Saúde.

