Delegado Sob Investigação
O delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, está sob investigação devido a uma possível ligação com um esquema conhecido como ‘Máfia dos Concursos’, que opera em Patos, no Sertão da Paraíba. No dia 17 de outubro, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma operação que visa desmantelar fraudes em certames e que abrangeu ações em Alagoas, Pernambuco e Paraíba.
A decisão judicial, emitida pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba, aponta que o delegado é suspeito de exercer pressão sobre a família que liderava o esquema, visando assegurar vantagens ilícitas para que seus familiares fossem aprovados em concursos públicos. O Ministério Público Federal (MPF) havia solicitado a prisão preventiva de Gustavo, mas o juiz optou apenas pelo mandado de busca e apreensão, considerando que os indícios até então coletados não eram suficientes para uma detenção imediata.
Pressões e Colaborações
Os fundamentos para a investigação contra Gustavo Xavier incluem depoimentos de colaboradores premiados que mencionaram sua participação e pressão exercida dentro da organização criminosa. Além disso, interceptações telefônicas revelaram diálogos que corroboram sua atuação. Um dos trechos do relatório do MPF menciona que um indivíduo conhecido como Delegado Xavier teria coagido um membro do grupo a fraudar concursos públicos a seu favor.
Outra informação relevante destaca que Gustavo Xavier teria utilizado sua posição para ameaçar o chefe do grupo criminoso, garantindo benefícios a seus aliados. Entre os favorecidos, estão sua esposa, Aially Soares, que obteve aprovação no Concurso Nacional Unificado para auditor fiscal, e seu irmão, Mércio Xavier, que foi aprovado no concurso do Banco do Brasil em 2023.
Alvos da Operação
Além do delegado, outros indivíduos também foram alvo de mandados de prisão preventiva, como Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza e Flávio Luciano Nascimento Borges, funcionários da Caixa Econômica. A Polícia Federal confirmou que as prisões ocorreram em João Pessoa na mesma operação e que 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, resultando na apreensão de celulares, notebooks e tablets.
De acordo com a decisão judicial, Dárcio é identificado como “Dadá Meu Frango” e teria participado diretamente de fraudes em concursos, enquanto Flávio, conhecido como “Panda/7777”, foi flagrado em conversas onde recebia gabaritos e informações de provas, indicando sua participação ativa no esquema. O juiz considerou a possibilidade de continuidade criminosa como um fator para justificar as prisões preventivas.
Esquema de Fraudes em Concursos Públicos
O esquema de fraudes em concursos públicos não é novo e foi descoberto recentemente pela Polícia Federal, sendo liderado por uma família de Patos que cobrava altas quantias, chegando a R$ 500 mil por vaga. Já em 2022, a PF realizou operações para prender o líder da máfia, que faleceu no mesmo ano. O grupo se utilizava de tecnologia avançada e métodos sofisticados de fraude, como dublês e comunicação em tempo real durante as provas.
As investigações revelaram que a organização corrompeu diversas autoridades e agiu durante mais de uma década, garantindo cargos de alto escalão por meio de práticas ilícitas que incluíam pagamento em dinheiro, ouro e até serviços como procedimentos odontológicos. O impacto deste esquema sobre a integridade dos concursos públicos é alarmante e levanta questões sobre a necessidade de reformas nos processos de seleção.
Impactos e Repercussões
O g1 tentou obter um posicionamento do delegado, da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas e da Polícia Civil, mas até a última atualização da reportagem, não houve resposta. O caso é um exemplo preocupante de como fraudes podem minar a confiança nas instituições públicas e na justiça, evidenciando a necessidade de um combate mais rigoroso à corrupção.

