Transação Estratégica na Bacia de Campos
A Petrobras anunciou a recompra de 50% da participação nos campos de petróleo Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, situados na Bacia de Campos, litoral do Sudeste do Brasil. Com essa aquisição, a estatal volta a ser 100% proprietária dos ativos, que foram vendidos em 2019 durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O valor da transação é de US$ 450 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 2,3 bilhões. A venda é realizada pela Petronas, empresa estatal da Malásia, e o comunicado oficial da Petrobras foi divulgado na noite de segunda-feira, 16.
O pagamento será realizado em parcelas: um primeiro montante de US$ 50 milhões será pago na assinatura do contrato (sem data definida), seguido por US$ 350 milhões na conclusão da operação, sujeito a ajustes relacionados à data efetiva. Além disso, serão feitas duas parcelas adicionais de US$ 25 milhões cada, após 12 e 24 meses da finalização da transação.
Direito de Preferência e Concorrência
No processo de recompra, a Petrobras exerceu seu direito de preferência. Isso significa que, como sócia dos campos, a empresa teve a oportunidade de igualar a proposta de compra feita pela Brava Energia, uma operadora independente de petróleo e gás que surgiu da fusão da 3R Petroleum e Enauta, ambas com forte presença no setor.
A Brava Energia havia anunciado sua proposta em 15 de janeiro de 2026, mas a Petrobras, ao exercer seu direito, conseguiu assegurar o controle dos campos antes que a transação com a nova operadora se concretizasse.
Detalhes dos Campos de Petróleo
Os campos de Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão localizados na região sul da Bacia de Campos, em águas que variam entre 700 e 1.620 metros de profundidade. Atualmente, a Petrobras já opera as áreas por meio do navio-plataforma Cidade de Campos dos Goytacazes, com uma produção que chega a cerca de 55 mil barris de óleo por dia.
Condições Econômicas Favoráveis
A aquisição foi considerada pela Petrobras como uma operação com “condições econômico-financeiras atrativas”, oferecendo maior flexibilidade na gestão de seu portfólio. A empresa reforçou que a compra está em sintonia com seu plano de negócios, priorizando decisões estratégicas voltadas para o setor de óleo e gás, uma abordagem que visa otimizar a alocação de capital, aumentar a resiliência econômica e ambiental, e mitigar riscos associados.
O fechamento da operação está condicionado ao cumprimento de certas condições, que incluem a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor.
Retomada de Participação e Contexto Histórico
O movimento de aquisição da Petrobras é um sinal de mudança em relação à estratégia da companhia durante o governo anterior. Em 2019, a estatal vendeu os mesmos campos para a Petronas por um valor de US$ 1,293 bilhões, em um momento em que Tartaruga Verde produzia cerca de 103 mil barris de óleo por dia, enquanto o Módulo III estava previsto para iniciar a produção em 2021.
Na época, a justificativa para a venda focou na otimização do portfólio e na melhoria na alocação de capital, visando a geração de valor para os acionistas.
Mercado Internacional em Alta
A aquisição ocorre em um cenário de elevação nos preços do petróleo no mercado internacional, que agora ultrapassa os US$ 100 por barril do tipo Brent, uma alta de 70% em relação ao ano anterior. O aumento dos preços é decorrente da crescente tensão no Oriente Médio, especialmente em razão do conflito entre Israel e Irã, que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via crucial para a produção global de petróleo e gás.
O estrangulamento na oferta de petróleo devido a essas tensões geopolíticas tem pressionado os preços para cima, refletindo diretamente nas operações das petrolíferas. Na última sexta-feira, 13, a Petrobras anunciou um reajuste no preço do diesel, embora tenha informado que o impacto ao consumidor final será mitigado por ações do governo.

