Uma Política Inovadora para Cidadania Digital
A Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) e a ONU-Habitat se reuniram na última quarta-feira (11) para discutir o desenvolvimento da Política Estadual de Cidadania Digital. Esta proposta busca estabelecer diretrizes fundamentais para ações voltadas à educação midiática, inclusão digital, integridade da informação e o fortalecimento da comunicação pública em Alagoas.
De acordo com Wendel Palhares, secretário da Comunicação, a iniciativa faz parte da estratégia da Secom de utilizar a comunicação pública como uma ferramenta eficaz no enfrentamento de questões sociais e na ampliação do exercício da cidadania. “Nosso objetivo vai além da simples divulgação da gestão. Estamos comprometidos em construir uma política de comunicação que realmente faça a diferença na vida dos alagoanos. Iniciativas como o ‘Filmaê’, que capacita jovens em educação midiática, bem como bolsas de mestrado, pesquisas e um núcleo dedicado à integridade da informação, são exemplos do nosso empenho. Todas essas ações compõem uma estratégia abrangente: a Política de Cidadania Digital”, destacou Wendel.
Alagoas na Vanguarda da Cidadania Digital
Com a proposta, Alagoas se destaca por estar na vanguarda da elaboração de uma das primeiras Políticas Estaduais de Cidadania Digital do Brasil. Para Paula Zacarias, coordenadora do projeto Visão Alagoas 2030, essa política preenche uma lacuna significativa na gestão pública. “Esta parceria dá continuidade a um trabalho que começou com o Digaê. O projeto evoluiu de uma iniciativa de educomunicação para ações de educação midiática dentro da Secom, e agora, ao se integrar a outras frentes, consolida o conceito de Cidadania Digital. Essa evolução foi crucial para a formulação de uma política de Estado”, explicou Paula.
A política está sendo desenvolvida com base em estudos técnicos, análise de experiências tanto nacionais quanto internacionais e processos de escuta com várias instituições. “Em colaboração com a ONU-Habitat, estamos finalizando a formulação dessa política pública para apresentá-la ao governador Paulo Dantas, aos secretários envolvidos e ao Legislativo, que terá o papel de avaliar e aprovar a proposta em forma de lei. A Política de Cidadania Digital tem como objetivo incentivar o uso responsável da tecnologia e ampliar a participação ativa dos cidadãos no estado”, complementou o secretário.
Prevenção Como Foco Central
Um dos principais eixos da política é o fortalecimento da autonomia informacional da população, com a intenção de mapear áreas de risco e produzir diagnósticos que auxiliem os cidadãos na busca por informações de qualidade. “Combater a desinformação e a violência não deve se restringir a corrigir erros depois que ocorrem. A evidência científica indica que o caminho mais eficaz é a educação. A proposta é ‘vacinar’ o cidadão, tornando-o capaz de identificar e rejeitar conteúdo falso, fraudes ou discursos de ódio por conta própria. Ao promover a educação midiática, o Estado não define o que é verdade ou mentira, mas devolve ao cidadão sua autonomia e capacidade crítica”, explicou Victor Siqueira, assistente da ONU-Habitat.
Diagnóstico e Escuta: A Chave para o Sucesso
A proposta também inclui a realização de um diagnóstico detalhado como etapa inicial do Plano de Ação. “Precisamos entender onde os jovens estão e quais são suas demandas. Um erro comum é oferecer apenas aquilo que o governo deseja comunicar, sem atender ao que o cidadão realmente precisa ouvir. O diagnóstico servirá para orientar a política pública de comunicação e garantir que este serviço seja efetivamente útil para a população de Alagoas”, concluiu a consultora da ONU-Habitat, Iara Diniz.

