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    Início»Política»Divisões Mundiais em Política Energética Aprofundam-se, Alerta Chefe da AIE
    Política

    Divisões Mundiais em Política Energética Aprofundam-se, Alerta Chefe da AIE

    28 de fevereiro de 2026
    Divisões Mundiais em Política Energética Aprofundam-se, Alerta Chefe da AIE
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    Desafios na Governança Energética Global

    O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, fez um alerta contundente sobre a crescente fragmentação da ordem global e como isso impacta a política energética. Em uma recente entrevista, Birol destacou que as divergências entre países estão se intensificando, especialmente com o recuo dos Estados Unidos em suas promessas climáticas sob a administração do ex-presidente Donald Trump.

    Enquanto os EUA retrocedem em seus compromissos ambientais, países como China e nações da Europa se movimentam em direção à eletrificação, criando um cenário de contrastes. Birol enfatizou: “Estamos observando uma fragmentação da ordem política global que, evidentemente, reflete no setor de energia. Diferentes países estão traçando caminhos distintos na questão da energia e das mudanças climáticas”.

    Recentemente, Trump revogou uma decisão essencial que sustentava a autoridade da Agência de Proteção Ambiental dos EUA para regular emissões, além de já ter retirado o país do Acordo de Paris e da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima. Essa série de decisões tem repercutido fortemente nas políticas energéticas globais.

    Repercussões na Europa e no Canadá

    Na Europa, as nações também têm mostrado um relaxamento em suas metas climáticas. No ano passado, a União Europeia revisou para baixo sua meta de redução de emissões até 2040 e adiou planos para eliminar motores a combustão até 2035. O cenário não é diferente no Canadá, onde as emissões do setor energético aumentaram, e o primeiro-ministro Mark Carney reforçou seu apoio à indústria de petróleo e gás, em resposta a ameaças comerciais provenientes dos EUA.

    As previsões mais recentes da AIE, divulgadas em novembro, indicam que a demanda global por petróleo e gás deve continuar a crescer nos próximos 25 anos, a menos que haja mudanças drásticas nas políticas governamentais. Ao ser questionado sobre a pressão exercida pelos EUA antes do lançamento de novos cenários pela AIE, Birol declarou que a agência sempre atua segundo as orientações que “nossos governos nos pedem para seguir”.

    Crescimento da AIE e Novas Adesões

    Apesar do ceticismo de Washington em relação a organismos multilaterais, Birol ressaltou que novos países demonstram interesse em se unir à AIE. De acordo com fontes próximas à agência, a Colômbia está prestes a se tornar membro pleno da organização, que atualmente conta com 32 países. A Índia também está em vias de se tornar membro pleno, enquanto o Brasil iniciará seu processo de adesão e o Vietnã se tornará um membro associado.

    Sophie Hermans, ministra de Energia da Holanda e presidente da reunião deste ano da AIE, reforçou a importância de uma abordagem “realista e pragmática” no enfrentamento das mudanças climáticas. Em relação ao debate na União Europeia sobre a eliminação gradual das permissões para emissões de CO2 nas indústrias intensivas em energia, ela enfatizou que as empresas precisam de uma direção clara, mas que, em um cenário geopolítico instável, é essencial ser flexível para adaptar as políticas às realidades.

    Diversificação de Recursos na Transição Energética

    Um dos focos da AIE será construir um consenso em torno da diversificação das fontes de matérias-primas críticas para a transição energética. Os membros da agência discutirão o fortalecimento das cadeias de suprimento e a coleta de dados, ao mesmo tempo em que Birol e Hermans alertaram para a necessidade de reduzir a dependência da China nesse setor. “Atualmente, observamos um único país assumindo um papel desproporcional em minerais críticos. Portanto, é vital colaborarmos com diversas nações que compartilham valores semelhantes para garantir essa diversificação”, finalizou Birol.

    AIE Fatih Birol mudanças climáticas política energética global
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