Resgate histórico e valorização cultural
O Ponto de Cultura Centro de Capoeira Lua de São Jorge promove, no domingo, 26 de julho, o 4º Encontro de Mulheres Lua de São Jorge, com o tema “Maria Porciúncula e a presença da mulher negra na capoeira em Alagoas”. O evento gratuito ocorre das 8h às 18h na sede do Ponto de Cultura, situada na Garça Torta, ao lado do Gigantinho da Garça. Essa iniciativa faz parte da programação do Julho das Pretas, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
Maria Porciúncula e o papel feminino na capoeira
A programação deste ano convida o público a uma imersão na trajetória da capoeira alagoana no período pós-abolição, tendo como ponto de partida um registro histórico de 1905 sobre Maria Porciúncula. Essa personagem simboliza a presença e a resistência das mulheres negras na capoeira em Alagoas, destacando que elas sempre tiveram papel ativo nas rodas, nas tradições e na construção cultural desse patrimônio.
Em 19 de outubro de 1905, o jornal alagoano Gutemberg noticiou a prisão de Maria Porciúncula, determinada pelo 3º comissário de polícia da capital. Retratada com termos depreciativos e associada à desordem, Maria foi descrita como uma mulher que “fazia da saia calção”, jogava capoeira, enfrentava homens e desafiava os padrões sociais da época.
Leia também: Mestre Besourão: 30 Anos Transformando Vidas pela Capoeira em Alagoas
Leia também: Capoeira como Ferramenta de Inclusão: A Jornada Transformadora de Mestre Besourão em Alagoas
Resistência e memória feminina na capoeira alagoana
Mais do que um registro policial, essa notícia é um dos poucos documentos que evidenciam a participação feminina na capoeira no início do século XX em Alagoas. O texto revela os mecanismos de repressão contra manifestações populares e destaca a presença das mulheres na construção dessa história, ocupando as ruas e espaços públicos mesmo diante da criminalização.
Ao resgatar a memória de Maria Porciúncula, o 4º Encontro propõe uma leitura crítica das fontes históricas, reconhecendo-a como símbolo da resistência de mulheres negras e populares que desafiaram as estruturas de poder vigentes. Mais de cem anos depois, Maria deixa de ser apenas uma personagem de notícia policial para integrar a memória da capoeira brasileira com foco na realidade alagoana, reafirmando o protagonismo feminino na preservação dessa expressão cultural afro-brasileira.
Agenda cultural e participação do público
O encontro contará com rodas de capoeira, apresentações culturais, oficinas, debates e reflexões que destacam a presença das mulheres na capoeira. Essa programação reafirma o compromisso do Ponto de Cultura Centro de Capoeira Lua de São Jorge em valorizar a ancestralidade, a memória e o protagonismo feminino na história da capoeira em Alagoas, estimulando a circulação e o acesso do público a essa importante manifestação cultural.

