A Inauguração que Levanta Questionamentos
ALAGOAS — A política alagoana passou por uma reviravolta com a confirmação da visita do presidente Lula ao estado, prevista para fevereiro. O anúncio, feito pela vereadora Teca Nelma (PT), destaca a entrega do Residencial Parque da Lagoa, localizado no Vergel, um dos maiores empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida na história de Maceió. Com a inauguração, mais de mil famílias serão beneficiadas, um feito importante em meio a desafios habitacionais.
No entanto, essa agenda que deveria ser celebrada suscita um questionamento pertinente: por que Lula opta por atender a capital que, nas últimas eleições, não o apoiou, enquanto o interior, que foi fundamental para sua vitória, permanece à margem? Essa pergunta reverbera entre os cidadãos alagoanos, especialmente aqueles que habitam as áreas menos favorecidas.
O Contexto da Visita de Lula
O objetivo declarado da visita de Lula é a inauguração do Parque da Lagoa, um projeto habitacional que certamente representa um avanço significativo. Porém, a presença do presidente em Maceió, durante a Caravana Federativa nos dias 26 e 27 de fevereiro, também levanta questões sobre a distribuição de investimentos e atenção política no estado. O encontro visa proporcionar aos prefeitos alagoanos uma oportunidade de acesso a serviços federais, mas para muitos, essa iniciativa parece focar exclusivamente na capital e na sua elite política.
A postagem de Teca Nelma sobre a visita de Lula gerou uma onda de comentários nas redes sociais, refletindo tanto entusiasmo quanto crítica. “O Presidente Lula confirmou sua visita a Maceió para inaugurar o Residencial que vai beneficiar mais de mil famílias… Marque na sua agenda”, escreveu a vereadora, mas essa mensagem não ressoou da mesma forma para todos os alagoanos.
O Lado Sombrio da Visita
O principal problema aqui não é a construção do parque, mas sim a mensagem política que essa visita transmite. O Palácio do Planalto parece ignorar uma contradição alarmante: Maceió foi a única capital do Nordeste onde Jair Bolsonaro venceu Lula no segundo turno de 2022. Em contrapartida, o interior alagoano, que foi vital para a eleição do petista, sente que suas necessidades estão sendo ignoradas em favor da capital.
Para os residentes de cidades como União dos Palmares e da Zona da Mata, existe um sentimento crescente de descaso. Muitos acreditam que o interior alagoano é visto apenas como um celeiro de votos, enquanto a capital é agraciada com as grandes inaugurações e atenção do governo. Essa percepção de abandono é preocupante, especialmente em um momento em que o país busca unir forças após um período tão polarizado.
Um Eleitorado em Busca de Reconhecimento
A estratégia de Lula em tentar “furar a bolha” do apoio bolsonarista em Maceió é clara, principalmente considerando as eleições de 2026. No entanto, ao fazer isso, ele arrisca alienar seus apoiadores mais leais, aqueles que sempre estiveram ao seu lado. Enquanto Maceió se alegra com as novas habitações, regiões como União ainda enfrentam dificuldades para acessar recursos necessários para sua recuperação e desenvolvimento.
Esse desequilíbrio na atenção e nos investimentos entre a capital e o interior pode gerar consequências significativas na relação do governo com o eleitorado. Em um momento onde a política brasileira busca reconstruir laços e superar divisões, é vital que a administração federal escute e responda às demandas de todas as áreas, não apenas das que já demonstraram apoio. A visita de Lula a Alagoas, portanto, deve ser mais do que um evento isolado; precisa representar um compromisso real com todos os cidadãos alagoanos.

