Reflexões sobre o Amor pelo Futebol
No Estádio Coaracy da Mata Fonseca, em Arapiraca, uma cena marcou a última rodada do Campeonato Alagoano. Mais do que qualquer jogada notável, um casal de idosos, de mãos dadas e vestindo a camisa do ASA, chamou minha atenção. Ali estavam, em um momento cotidiano de cumplicidade, assistindo ao jogo com a tranquilidade de quem construiu uma história ao longo dos anos.
O futebol é frequentemente visto como uma explosão de emoções, repleto de rivalidades e gritos de torcida. No entanto, naquele instante, ele se transformou em algo muito mais profundo: uma demonstração de constância e permanência. O casal, sem gestos exagerados ou efusividade, representava o amor pelo futebol que se mantém firme ao longo da vida. Para eles, o jogo vai além do espetáculo; trata-se de companhia e união.
Torcer por um time é um exercício de continuidade incomum, que requer paciência e resiliência. Os torcedores enfrentam derrotas e frustrações, mas continuam a apoiar sua equipe com fervor. Poucas experiências em grupo ensinam tanto sobre a importância de permanecer do lado de quem se ama quanto o futebol. Ir aos jogos, mesmo quando o time não está em boa fase, vestir a camisa que, por vezes, não traz orgulho, e estar presente a cada partida se tornam partes fundamentais da identidade dos torcedores.
É bem possível que aquele casal tenha moldado seus domingos em função do calendário do campeonato. O futebol, nesse caso, servia como pano de fundo para diálogos, silêncios e acordos que formam o cotidiano de um relacionamento. Ou, talvez, seja apenas um hábito antigo, enraizado na vida, assim como tantas rotinas que superam o tempo. Independentemente do motivo, o que se observava era o impacto do futebol ao criar laços.
Na arquibancada simples de Arapiraca, o futebol revelou uma de suas funções mais essenciais: a união. Não se trata apenas de celebrar vitórias, mas de sentir o pertencimento ao estar ao lado de outros torcedores, até que o apito final do árbitro ecoe. Em uma era marcada pela velocidade do consumo e por paixões efêmeras, aquela imagem de amor silencioso e duradouro recordava que o futebol também é um ato de construção. E que alguns amores, quando verdadeiros, permanecem discretos, mas firmes.

