Obras de Reativação e Inovação Tecnológica
Após seis anos sem trens operando devido à extração de salgema, a Prefeitura de Maceió dá início a mais uma fase das obras para reconstruir a linha férrea nos bairros de Bebedouro e Mutange. O retorno da circulação ferroviária, previsto para 2027, será viabilizado com o emprego de tecnologia japonesa, que visa mitigar os impactos em áreas afetadas por desastres naturais.
A prefeitura informou ao Movimento Econômico que já foram concluídas as obras de terraplanagem necessárias para a instalação dos trilhos, preservando o traçado original, que conecta o bairro Jaraguá à estação Lourenço de Albuquerque, em Rio Largo. Até junho, está prevista a colocação dos trilhos, que utilizarão tecnologia avançada já aplicada no Japão, em regiões que enfrentaram desastres ambientais e abalos sísmicos.
Os novos trilhos, que serão instalados na Avenida Major Cícero de Góes, em Bebedouro, contarão com sistemas de mitigação de riscos operacionais e monitoramento em tempo real. Isso permitirá a detecção de alterações na geometria dos trilhos e deformações na área dos dormentes, garantindo uma operação segura do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para os usuários.
Medidas de Segurança e Estabilização do Solo
Além das obras nos trilhos, a Prefeitura também está finalizando as obras de contenção de encostas na região, uma ação fundamental para estabilizar o solo e reduzir o risco de deslizamentos. Isso é especialmente relevante, considerando o histórico de problemas geológicos enfrentados nas áreas afetadas.
No final de novembro de 2024, uma equipe formada por técnicos da Defesa Civil de Maceió e da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) viajou ao Japão para conhecer o Railroad Technical Research Institute. Durante a visita, foram apresentadas boas práticas internacionais no gerenciamento de emergência para sistemas ferroviários em regiões sísmicas, consolidando o Japão como referência em tecnologia avançada contra eventos sísmicos.
De acordo com Abelardo Nobre, coordenador da Defesa Civil de Maceió, essa visita foi crucial para a formulação de recomendações a serem seguidas na utilização do solo onde o trem irá operar novamente. “Essas tecnologias já são utilizadas no Japão e têm proporcionado resultados satisfatórios. Queremos implementá-las aqui em Maceió para minimizar os impactos do desastre”, afirmou Nobre.
Os dados coletados durante os monitoramentos e os estudos prévios indicam uma correlação positiva entre a redução da velocidade do trem e as atividades de preenchimento das cavidades com areia, conhecidas como backfilling. Isso reforça a importância de continuar o enchimento das cavidades identificadas para garantir a segurança na passagem do trem. Contudo, um trecho específico da Avenida Major Cícero de Góes Monteiro, entre o antigo Colégio Bom Conselho e a ladeira da Gruta do Padre Cícero Romão Batista, permanecerá sob monitoramento contínuo por parte da Defesa Civil e outros órgãos competentes.
Critérios de Segurança e Uso Temporário da Região
Nobre ressaltou que o uso do espaço para a retomada da circulação do trem seguirá rigorosos critérios de segurança e monitoramento. A operação será autorizada apenas após a implementação de todas as recomendações da CBTU, com a concordância da Defesa Civil. “O uso do local será temporário, restrito ao momento de passagem do trem. Não haverá paradas de trem em todo o trecho dentro dos bairros afetados, pois a política de gerenciamento de desastres impede a construção de estruturas permanentes na região”, explicou.

