Suspeita de Abuso em Clínica de Maceió
Uma mãe de Maceió, que prefere manter a identidade em sigilo, compartilhou sua angústia após suspeitar que sua filha, diagnosticada com autismo nível dois e epilepsia refratária, pode ter sido vítima de abuso durante o tratamento em uma clínica. De acordo com relatos, a criança, que também enfrenta desafios de comunicação, está sob cuidados da instituição desde 2025, após uma longa batalha judicial que durou mais de três anos para conseguir a vaga, com os custos cobertos pela prefeitura.
A situação se intensificou no dia 23 de março, quando a mãe notou comportamentos incomuns ao retornar para casa. “Ela começou a me puxar para beijar, repetindo várias vezes que queria me dar beijo. Questionei se ela sabia que isso não era adequado, pois só adultos podem beijar na boca”, detalhou a mãe. Essa não foi a única alteração que chamou sua atenção.
Enquanto dava banho na filha, outro sinal alarmante surgiu. “Ela pediu para não tocar e disse ‘não machuca’. Tentei tranquilizá-la, garantindo que não a machucaria”, relatou a mãe em desespero. A situação tornou-se ainda mais crítica quando a criança, em um gesto que deixou a mãe em choque, colocou saliva no dedo e tentou tocar a própria intimidade. Em estado de aflição, a mãe perguntou de onde ela havia aprendido aquilo e a menina respondeu: “mamãe, titia fez comigo”. A repetição da frase gerou um alarme imediato na mãe.
Imediatamente, a mãe procurou a polícia, registrando a denúncia. A criança foi levada à delegacia e ao Instituto Médico Legal (IML) para um exame de corpo de delito. Segundo a família, a menina confirmou sua versão com os mesmos gestos e palavras. “É desesperador ver minha filha passar por isso”, desabafou a mãe.
A delegada Talita Aquino, responsável pelo caso, afirmou que as investigações estão em andamento. Imagens do local onde a criança recebia atendimento foram coletadas e todos os profissionais que tiveram contato com a menina serão convocados para prestar depoimentos. “Estamos tratando o caso com a seriedade que ele merece”, declarou a delegada.
A clínica em questão também foi notificada pela advogada da família, Clayse Vieira. Ela mencionou que a resposta da instituição à denúncia foi interpretada como uma tentativa de intimidação, uma vez que a clínica sugeriu que a família deveria ter esperado mais tempo antes de expor a situação na mídia. “A resposta foi preocupante, pois parece que a prioridade é proteger a imagem da clínica e não o bem-estar da criança”, afirmou a advogada.
Esse tipo de situação ressalta a importância de um ambiente seguro para crianças com necessidades especiais, especialmente em instituições voltadas para o tratamento. A sociedade deve se mobilizar para garantir a proteção e o cuidado adequado para todas as crianças, independentemente de suas condições.

