Seminário destaca desafios da comunicação pública diante da desinformação
Até domingo (11), Maceió recebe o VIII Seminário Internacional de Informação, Tecnologia e Inovação (SITI 2026), promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Alagoas (PPGCI/Ufal). O encontro reúne pesquisadores, professores, estudantes e profissionais para analisar os efeitos das novas tecnologias na produção, circulação e preservação da informação. A agenda, realizada no Centro de Inovação do Polo Tecnológico do Jaraguá, aborda temas que vão da inteligência artificial à geopolítica da informação, passando por inovação, integridade de dados, desinformação e políticas públicas.
Integridade da informação como política pública ganha destaque
A abertura do seminário contou com a presença do secretário de Estado da Comunicação de Alagoas, Wendel Palhares, que participa da programação focada na integridade da informação. Em entrevista à Tribuna Independente, o secretário alertou para o avanço das ferramentas de inteligência artificial capazes de gerar conteúdos falsos extremamente realistas, como vídeos manipulados e deepfakes.
Segundo Wendel, o último período eleitoral evidenciou a gravidade do problema, com a circulação massiva de vídeos alterados e outras formas de manipulação. Diante disso, ele defende que o jornalismo profissional e a comunicação responsável devem assumir papel central no debate público, reforçando o compromisso com a qualidade da informação.
“O jornalismo e a comunicação precisam se fortalecer para superar esse tipo de conteúdo que não contribui”, afirmou o secretário durante o evento.
Pesquisa e parcerias fortalecem o combate à desinformação em Alagoas
O tema da integridade da informação ocupa lugar central no SITI 2026. Na programação desta quinta-feira (8), Wendel Palhares e a coordenadora do Observatório da Desinformação de Alagoas, Andréa Moreira, participaram da roda de conversa “Integridade da Informação como Política Pública em Alagoas”. O encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos e bolsistas para compartilhar experiências locais e discutir estratégias contra a desinformação.
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O secretário ressaltou o papel fundamental da pesquisa acadêmica na identificação de conteúdos manipulados e na compreensão do fluxo informacional que chega à população. Ele defendeu maior integração entre poder público, universidades, pesquisadores e profissionais da comunicação.
Essa iniciativa está vinculada ao Núcleo de Integridade da Informação de Alagoas, criado em 2025, que congrega ações de pesquisa, educação midiática e enfrentamento à desinformação. Além disso, a Secretaria de Estado da Comunicação mantém parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) para apoiar pesquisas de pós-graduação sobre o tema.
Em paralelo, o Governo de Alagoas discute a implantação de uma Política Estadual de Cidadania Digital, que prevê diretrizes para educação midiática, inclusão digital, integridade da informação e fortalecimento da comunicação pública. A proposta inclui também ações de formação e incentivo à participação cidadã no ambiente digital.
O papel do jornalismo na era da inteligência artificial
Durante sua fala para estudantes e profissionais da comunicação, Wendel destacou a responsabilidade de quem atua diretamente com informação. Para ele, o comunicador deve garantir que a população tenha acesso aos dados necessários para compreender o contexto, tomar decisões informadas e conhecer seus direitos e serviços públicos.
Ele também chamou a atenção para os impactos da inteligência artificial no cenário informacional e a urgência de preparar a sociedade para identificar conteúdos manipulados. O desafio, segundo a discussão do seminário, vai além de reconhecer informações falsas: é preciso compreender como conteúdos verdadeiros podem ser distorcidos por meio de edições ou retirados de contexto para gerar interpretações equivocadas.
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Esse tema ganha relevância com o avanço das tecnologias generativas, que facilitam a criação de textos, imagens, áudios e vídeos sintéticos. Para Wendel, enfrentar essa realidade requer colaboração entre comunicação, ciência, tecnologia, educação e poder público.
SITI 2026 reforça conexão entre tecnologia, inovação e sociedade
Desde 2019, o SITI se consolidou como um espaço interdisciplinar para a apresentação de pesquisas e debates sobre informação, tecnologia e inovação. Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Ufal, o evento conta com o apoio da Fapeal, além de financiamento do CNPq e da Capes.
A programação segue até 11 de outubro com conferências, mesas-redondas, apresentações e rodas de conversa. Entre os temas em destaque estão a geopolítica da informação e do conhecimento, disputas epistêmicas, governamentalidade algorítmica e soberania científica, além dos desafios da inteligência artificial, desinformação, integridade da informação e políticas públicas.
Voltado para a comunidade acadêmica, profissionais de Tecnologia da Informação, cientistas da informação, pesquisadores e interessados em tecnologia e inovação, o seminário reforça a importância de discutir o impacto real dessas transformações na sociedade.

