A diferença entre planejamento e emergência hídrica em Alagoas e São Paulo
A situação da água em Alagoas contrasta diretamente com as ações adotadas em São Paulo. Enquanto o governo paulista investe na construção de barragens para ampliar o abastecimento na região de Campinas, Alagoas já convive com os efeitos da seca, que já geram situação de emergência em diversos municípios do interior do estado.
As barragens de Pedreira, no rio Jaguari, e Duas Pontes, no rio Camanducaia, são exemplos da estratégia paulista. Com capacidade conjunta para armazenar 85 bilhões de litros, esses reservatórios beneficiarão aproximadamente 5,5 milhões de pessoas, conforme informações do governo de São Paulo. Essa iniciativa visa garantir água mesmo nos períodos de estiagem mais severos.
Planejamento antecipado como exemplo para Alagoas
O governador Tarcísio de Freitas reforçou essa postura durante debate na Band em 9 de agosto, ao afirmar que é fundamental agir antes da crise para evitar problemas futuros. Essa filosofia de antecipação é justamente o que o movimento Barragens Já!, liderado por Wadson Regis em Alagoas, defende. Para ele, a questão transcende posicionamentos políticos e se resume a planejamento eficiente.
O exemplo nordestino do Ceará, durante a gestão de Ciro Gomes, é citado como referência. A política estadual de enfrentamento à escassez hídrica, baseada em infraestrutura e planejamento, resultou na implantação do Canal do Trabalhador, símbolo de uma visão estratégica sobre a água como recurso essencial.
Emergência em Alagoas e ausência de estratégia clara
Enquanto São Paulo age para garantir seu abastecimento futuro, Alagoas já enfrenta situação crítica. Em 2026, municípios como Piranhas, São José da Tapera e Palmeira dos Índios tiveram situação de emergência reconhecida devido à seca. No mês seguinte, Estrela de Alagoas e Maravilha também foram afetados, evidenciando a gravidade do problema no estado.
Wadson Regis alerta que o atual cenário deve levar a uma mudança de postura: Alagoas precisa passar de uma gestão reativa para um planejamento estratégico da segurança hídrica. As propostas que envolvem a construção de barragens não se limitam ao abastecimento urbano, mas abrangem irrigação, fortalecimento da agricultura, prevenção de enchentes e estímulo ao desenvolvimento econômico.
Desafios para a sucessão estadual e futuros investimentos
Com a sucessão estadual se aproximando, a cobrança recai sobre os principais pré-candidatos ao governo, JHC e Renan Filho, para que apresentem planos concretos para garantir a segurança hídrica do estado. As perguntas são claras: onde estão as barragens propostas? Qual o cronograma de execução? Qual será o investimento destinado? E por quanto tempo Alagoas continuará sem uma estratégia clara?
Enquanto São Paulo se antecipa à próxima estiagem, Alagoas corre o risco de continuar lidando com a água apenas em momentos de crise. Ciro Gomes e Tarcísio de Freitas já demonstraram que agir antes é o caminho. A expectativa é que Alagoas acompanhe essa lógica e transforme a segurança hídrica em uma política de Estado, não apenas uma medida emergencial, como defende Wadson Regis.

