Análise do Monitor de Secas Revela a Gravidade da Situação Hídrica em Alagoas
No fechamento de 2025, Alagoas enfrentou um cenário alarmante, com todas as regiões do estado apresentando algum nível de seca, conforme apontado pelo Monitor de Secas. O relatório, divulgado em janeiro de 2026, destaca as consequências de um dezembro que não seguiu as expectativas pluviométricas, resultando em longos períodos sem chuvas em todo o território alagoano.
O último mês do ano, normalmente caracterizado por uma baixa atividade chuvosa, apresentou uma drástica queda nas precipitações, com registros abaixo da média climatológica em todas as áreas do estado. Especificamente, no Agreste e Sertão, os desvios de chuvas foram significativos, alcançando quase 100%. Muitas localidades enfrentaram até 30 dias consecutivos sem um pingo d’água.
Esse quadro contribuiu para a agravação gradual da seca em Alagoas, com a seca fraca avançando em direção ao litoral e a seca moderada se intensificando no Agreste. Além disso, uma nova área de seca grave foi identificada no alto Sertão. A distribuição irregular das chuvas, que ocorreram de forma esporádica e insuficiente, também prejudicou a recuperação dos mananciais.
O relatório indica que, em dezembro de 2025, 51,4% do estado estava sob o regime de seca fraca (S0), incluindo partes do Agreste, Zona da Mata, Baixo São Francisco e Litoral. Já 49% do território enfrentou seca moderada (S1), cobrindo regiões do Agreste e Sertão, enquanto 15,07% do estado, especialmente no extremo oeste, estava classificado com seca grave (S2). Essa situação crítica impactou diretamente a disponibilidade de água, situação especialmente preocupante em áreas que dependem de cisternas e pequenos reservatórios.
O monitoramento dos principais reservatórios de Alagoas também revela uma queda significativa nos volumes de água se comparado ao mês anterior, reforçando a preocupação com o futuro hídrico do estado.
Da Centralização da Seca em 2021 ao Cenário Atual
O panorama de seca no final de 2025 se contrasta nitidamente com a situação observada cinco anos antes. Em 2021, embora a seca tivesse sido severa em certas ocasiões, ela estava mais restrita às áreas do Sertão e do Sertão do São Francisco. Naquela época, ao longo do primeiro semestre, a metade leste do estado chegou a apresentar uma recuperação significativa dos recursos hídricos, com algumas regiões do Litoral e da Zona da Mata se livrando da seca.
Contrapondo-se a esse cenário mais otimista, 2025 mostrou um avanço preocupante da seca para o centro-leste e litoral, evidenciando uma maior abrangência do fenômeno. Ao final do ano, todo o estado se viu inserido em algum nível de severidade hídrica, o que desperta a necessidade de ações urgentes para mitigar os efeitos da seca. As condições climáticas extremas e a irregularidade das precipitações exigem uma atenção redobrada por parte das autoridades e da população, considerando as consequências que a seca pode trazer para a agricultura, consumo de água e o bem-estar da população.

