Um Encontro de Cultura e Música no Theatro Homerinho
O pandeiro ecoou no Theatro Homerinho, localizado no charmoso bairro do Jaraguá, em Maceió, marcando o início de uma tarde repleta de aprendizado e troca de experiências. A oficina percussiva, promovida pelo grupo Samba da Periferia na última sexta-feira (24), atraiu participantes de diversas idades, permitindo uma imersão no vibrante universo do samba e da cultura popular. Essa atividade faz parte das ações da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que busca facilitar o acesso à cultura através do incentivo a projetos que unem produção artística e formação social.
Sob a orientação do mestre Dogão, os participantes foram introduzidos aos fundamentos do pandeiro, desde o reconhecimento do instrumento até a exploração dos primeiros ritmos. O entusiasmo foi palpável, e logo nos primeiros minutos, todos já estavam acompanhando a batida e vivenciando a musicalidade. “Participar desse momento é muito especial para mim. Admiro o grupo e estar aqui nessa primeira captação é uma honra. Começamos com o básico, pelo contato com o instrumento, e já dá para ver que todos têm ritmo. Em breve, teremos muitos pandeiristas pela cidade”, comentou o mestre com um sorriso.
Entre os participantes, havia a professora Amanda Nascimento, que viu na oficina a chance de aprofundar um interesse que já era antigo. “Eu sempre gostei de pandeiro e aprendi algumas coisas pela internet. Mas estar aqui é diferente. Isso me dá ainda mais vontade de continuar. Percebemos que temos ritmo e que podemos evoluir”, compartilhou, expressando sua satisfação.
A PNAB e o Fomento Cultural
A oficina destaca um dos principais objetivos da PNAB: além de fomentar eventos culturais, o programa procura incentivar iniciativas que devolvam à sociedade o investimento recebido. Essa abordagem não só amplia o acesso à cultura, mas também impulsiona novos talentos e fortalece a cadeia produtiva no setor cultural.
Debate sobre o Sincretismo Religioso e Cultura Popular
Após a oficina, o Theatro Homerinho abriu suas portas para um enriquecedor debate sobre a figura de São Jorge. A discussão reuniu representantes de várias tradições religiosas, ampliando o entendimento sobre o simbolismo do Santo Guerreiro na cultura brasileira, especialmente no samba. A ialorixá Mãe Neide Oyá D’Oxum participou do debate, enfatizando a importância de compreender o sincretismo religioso como um processo histórico de resistência. “Ogun é Ogun. São Jorge é São Jorge. Nossos ancestrais usaram o culto a São Jorge como disfarce, pois não podiam adorar Ogun”, explicou, ressaltando a necessidade de respeitar todas as crenças e reconhecer a história e identidade cultural.
O economista e gestor cultural Vinicius Palmeira trouxe à tona uma contextualização histórica sobre São Jorge, destacando sua relevância ao longo dos séculos. “Estamos falando de uma figura que atravessa mais de 1.700 anos da história católica e entre 5 e 7 mil anos da história de Ogun. No Brasil, essas figuras se tornaram símbolos de fé, ressignificados em diferentes contextos, especialmente no diálogo com a cultura popular e o samba”, pontuou.
A roda de conversa contou ainda com a participação de lideranças religiosas, pesquisadores e agentes culturais, favorecendo um ambiente de escuta, reflexão e respeito entre diferentes perspectivas.
Cultura como Ferramenta de Desenvolvimento Social
Com essas ações, o grupo Samba da Periferia reforça a importância da cultura como um instrumento para o desenvolvimento social. O samba não apenas celebra, mas também ensina, conecta e transforma. As atividades realizadas no Theatro Homerinho anteciparam o clima do evento Samba Pra Jorge, que ocorrerá neste sábado (25), no Espaço Armazém. Além de ser um evento musical, o projeto se propõe a articular cultura, educação e políticas públicas, ampliando o impacto do Samba da Periferia na cidade.
Serviço do Evento Samba Pra Jorge
Data: 25 de abril
Horário: Abertura da casa às 18h
Local: Espaço Armazém
Ingressos digitais: Clique aqui

