Gás Natural e Sustentabilidade Transformam a Indústria de Alagoas
A indústria em Alagoas está passando por uma mudança significativa, deixando para trás a dependência exclusiva de incentivos fiscais e apostando em uma base energética segura e ambientalmente responsável. A segunda reportagem da série rota energética destaca como o setor industrial tem adotado o gás natural para garantir seu funcionamento eficiente e ampliar o processo de descarbonização no estado.
Um avanço notável ocorreu no Sertão alagoano, onde o gás natural canalizado chegou para atender as indústrias de laticínios instaladas na crescente Bacia Leiteira. Antes, essas empresas dependiam da queima de lenha e óleo combustível pesado, fontes poluidoras e de preços voláteis, para movimentar suas caldeiras.
Bacia Leiteira Recebe Investimentos e Gás Natural Canalizado
Segundo diagnósticos da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) e relatórios da Algás, os processos de produção exigiam picos constantes de calor para pasteurização e fabricação de leite em pó, além de sistemas de refrigeração contínuos para estocagem dos derivados. A chegada do gás natural em Batalha, com investimento de R$ 5 milhões para instalação de cinco quilômetros de rede, já beneficia três grandes indústrias nacionais: Natville, Grupo Alvoar e Piracanjuba.
De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE, a Bacia Leiteira movimenta R$ 1,3 bilhão por ano, produzindo cerca de 597 milhões de litros de leite. Esse volume atraiu grandes empresas que confirmaram o uso do gás natural em suas unidades, impulsionando a economia regional e a geração de empregos.
A Natville planeja investir R$ 500 milhões na unidade de Batalha, que será totalmente abastecida por gás natural, gerando 500 empregos diretos e 5 mil indiretos. O Grupo Alvoar, que adquiriu a Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), anunciou R$ 40 milhões em investimentos para ampliar a produção de laticínios.
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Esses avanços significam mais eficiência na produção, com estabilidade térmica que padroniza a qualidade dos derivados e reduz custos operacionais por litro processado. Ediberto Omena, presidente da Algás, destaca que a estação de gás vai garantir economia e sustentabilidade aos produtores, substituindo fontes poluentes por uma energia limpa e acessível.
Polo Cloroquímico e Energia Renovável Impulsionam a Região Metropolitana
No entorno da Região Metropolitana, o gás natural atua como fator decisivo para fixar grandes indústrias, consolidando um polo estratégico. No Polo Cloroquímico de Marechal Deodoro, multinacionais como Braskem e Krona dependem do fornecimento contínuo de gás para produção de PVC e tubos.
A Braskem, por sua vez, é abastecida por vapor verde produzido pela Veolia, que firmou contrato de 20 anos para fornecimento de energia renovável a partir de biomassa. No primeiro ano, a planta gerou 900 mil toneladas de vapor verde, reduzindo cerca de 150 mil toneladas de CO₂ anualmente em comparação a combustíveis fósseis.
Natalie Figueiredo, diretora de Operações Industriais da Veolia Brasil, explica que a empresa planeja ampliar o mix de fontes renováveis, incluindo resíduos como a casca de coco, fortalecendo a matriz limpa da região.
Além disso, a Algás investirá R$ 15 milhões para expandir a rede de gás natural em Marechal Deodoro, atendendo condomínios e hotéis. Dados da Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal) indicam que o número de indústrias abastecidas subiu para 48 em 2025, com crescimento da rede e volume distribuído.
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Estocagem Subterrânea e Segurança Energética em Alagoas
Para reforçar a segurança da oferta, a Origem Energia desenvolve no Pilar um projeto de estocagem subterrânea em antigos reservatórios do Polo Alagoas, com previsão de início no segundo semestre de 2025. A primeira fase terá capacidade para 50 milhões de metros cúbicos e investimento de US$ 20 milhões, funcionando como reserva para equilibrar oferta e demanda de gás natural.
Resíduos Industriais Viram Energia Limpa e Sustentabilidade
A sustentabilidade também avança com o reaproveitamento de resíduos industriais e urbanos. A Veolia incorporou as empresas Alagoas Ambiental e Serquip Tratamentos e Resíduos, ampliando sua planta em Marechal Deodoro. Os EcoParques e unidades oferecem serviços variados, desde beneficiamento de pneus até geração de energia via biogás, incineração, reciclagem e tratamento de resíduos perigosos e não perigosos.
O complexo ainda conta com usinas de biomassa, blendagem para coprocessamento e estação de tratamento de efluentes. Marnes Gomes, diretor operacional da Veolia em Alagoas, destaca que 40 mil toneladas mensais de resíduos são aproveitadas nessas unidades, abastecendo diretamente a matriz limpa do estado.
O biogás produzido nas unidades de Pilar e Craíbas alimenta cinco motores que geram cinco megawatts de energia por hora, impulsionando a indústria local com energia renovável e reduzindo os impactos ambientais.

