A Bravura em Tempos de Raiva
Um ano após o início do segundo mandato de Donald J. Trump como presidente, a política americana parece dominada por uma atmosfera de raiva, angústia e cinismo. Ao celebrarmos o 250º aniversário dos Estados Unidos, a retórica que descreve o país como um santuário para os oprimidos soa, em muitos aspectos, como uma ilusão.
A violência contra migrantes e cidadãos americanos, as ameaças e intimidações do presidente Trump a aliados e opositores, assim como os ataques militares contra países como Venezuela, Irã, Cuba e Colômbia, levantam questionamentos sobre a verdadeira natureza da nação. Diante de tanta discórdia e desespero, qual seria a solução para restaurar a paz e a dignidade?
Entretanto, mesmo neste cenário desolador, luzes de esperança emergem das sombras. É fundamental reconhecer os grupos e indivíduos que, com coragem, se opõem aos impulsos mais destrutivos do nosso caráter nacional, promovendo resistência pacífica e honesta contra a desonestidade do governo atual. O trabalho desses ativistas se transforma em um importante contraponto, oferecendo não apenas resistência, mas também motivos para acreditarmos em um futuro melhor.
Ativistas em Ação: Um Coração Valente
A desobediência civil e os protestos pacíficos realizados em todo o país representam um grito por justiça. O presidente Trump não hesitou em ameaçar usar a Lei da Insurreição para reprimir os manifestantes em cidades como Minneapolis. Com isso, seu vice-presidente desqualificou os ativistas, referindo-se a eles como ‘insurgentes’ e ‘agitadores de extrema esquerda’. Essa estratégia visa deslegitimar qualquer forma de resistência aos planos do governo, mesmo quando as notícias destacam tragédias como os assassinatos de Renee Good e Alex Pretti, que geraram renúncias dentro do Departamento de Justiça.
Apesar do clima hostil, muitos manifestantes em cidades como Chicago, Los Angeles, Portland e Minneapolis optaram por ações pacíficas e legais. Eles se manifestam em defesa de seus compatriotas que se encontram em situações vulneráveis, cientes de que enfrentarão a brutalidade dos agentes do ICE e da Patrulha da Fronteira, que têm operado com impunidade e violência.
Esses cidadãos, muitas vezes anônimos, realizam diariamente atos de bondade, garantindo a dignidade e segurança dos migrantes que temem por suas vidas. Através de gestos simples, como oferecer abrigo e alimentos, eles mostram que a compaixão ainda existe, mesmo em tempos sombrios.
A Liderança Religiosa e a Resistência Ética
É gratificante notar a postura ativa dos bispos católicos, que têm se oposto a diversas ações do governo Trump. A declaração da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, divulgada em 12 de novembro de 2025, contestou de forma contundente os planos de deportação em massa. Essa foi a primeira declaração conjunta dos bispos desde 2013, conferindo um peso adicional à crítica.
Além de coletivamente opor-se aos planos de deportação, bispos individuais, como os cardeais Blase Cupich, Robert McElroy e Joseph Tobin, também têm se manifestado contra as políticas que ameaçam a diplomacia internacional e a paz mundial. Em uma declaração, eles destacaram que a construção de uma paz justa deve ser prioridade, em vez de ser reduzida a questões partidárias.
Em outra ocasião, o Cardeal Tobin criticou abertamente as políticas de imigração do governo, incentivando a população a exigir mudanças e vetos ao financiamento do ICE, denunciando práticas que permitem abusos contra as crianças e os manifestantes.
Coragem em Todos os Níveis da Sociedade
Outra voz digna de nota é a do Arcebispo Timothy P. Broglio, que, ao se dirigir às tropas americanas, afirmou que seria moralmente aceitável desobedecer ordens para participar de operações militares injustificadas, como a proposta de Trump em relação à Groenlândia. Essa declaração, que provocou reações adversas no governo e nas forças armadas, reafirma a responsabilidade ética de quem está em posição de poder.
Além disso, grupos que historicamente apoiaram Trump na causa pró-vida têm se mostrado críticos em relação a suas recentes decisões, reafirmando sua posição com veemência. Marjorie Dannenfelser, presidente de uma organização pró-vida, declarou que uma possível mudança no apoio à Emenda Hyde seria uma grande traição aos princípios defendidos pelo grupo.
Por fim, políticos republicanos como os senadores Thom Tillis e Bill Cassidy têm se destacado por sua coragem em criticar as ações do presidente, mesmo enfrentando a ira de seu próprio partido. É uma demonstração valiosa de que a ética e a responsabilidade política ainda podem prevalecer em meio à turbulência.
Dizer a verdade ao poder exige coragem e fé, especialmente em um ambiente repleto de ameaças. À medida que nos deparamos com tempos incertos, que esses exemplos de bravura sirvam de faróis de esperança e guia para aqueles que ainda acreditam na justiça e na moralidade em nossa sociedade.

