Governadora Reforça Legalidade das Ações Policiais
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, saiu em defesa da Polícia Civil, após a polêmica envolvendo o monitoramento do secretário de Defesa Social, Gustavo Monteiro. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Lyra afirmou que a corporação agiu de acordo com a legalidade. “A Polícia recebeu uma denúncia grave de corrupção e fez seu papel de investigação, sempre respeitando as leis. Ninguém está acima da lei e é fundamental que a corrupção seja combatida”, disse.
A investigação sobre Monteiro ocorreu entre agosto e outubro do ano passado, a partir de uma denúncia anônima, segundo informações da Secretaria de Defesa Social. A pasta garantiu que a ação foi arquivada por não ter encontrado irregularidades. No entanto, o prefeito do Recife, João Campos, criticou a ação, considerando-a uma forma de perseguição política. “O que está em jogo não é a polícia investigar, mas fazer isso da forma certa. Eu não tolero corrupção, mas também não aceito perseguições. Tudo isso não vai ficar impune”, enfatizou Campos.
Detalhes do Monitoramento
O secretário Monteiro foi monitorado por agentes, que trocaram informações sobre sua rotina em um grupo de mensagens, onde uma foto dele foi compartilhada, descrevendo-o como ‘alvo da missão’. A TV Record foi a responsável por revelar o caso no último domingo, gerando grande repercussão.
Conforme as investigações, os agentes seguiram um veículo que era utilizado tanto por Monteiro quanto por seu irmão, Eduardo, que também foi alvo do monitoramento. Em setembro, um rastreador foi colocado no automóvel, que estava estacionado próximo a um mercado em Recife, onde Eduardo fazia compras. Entre as mensagens trocadas pelos agentes, um relato descrevia a rotina do veículo, detalhando sua movimentação.
Posicionamento da Polícia Civil e Reação da Prefeitura
A Polícia Civil de Pernambuco explicou que a operação, chamada “Nova Missão”, foi iniciada após receber uma denúncia sobre um suposto pagamento de propina a um funcionário público no Recife. Contudo, a investigação não encontrou indícios que justificassem a abertura de um inquérito. Em nota, a corporação esclareceu que, com base em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), denúncias anônimas não autorizam automaticamente a instauração de inquérito, sendo utilizadas apenas como fonte inicial para investigações preliminares.
Na defesa da Polícia Civil, o secretário Alessandro Carvalho destacou que as ações foram regulares e que a instalação do rastreador não exigiria autorização judicial. Em resposta, a prefeitura do Recife manifestou sua indignação. Em comunicado, a administração classificou o episódio como uma “tentativa de uso indevido das forças policiais para fins políticos”, considerando a conduta “ilegal, inconstitucional e imoral”.
Reações dos Parlamentares e Advogado
O advogado Eduardo Trindade, que representa Monteiro, afirmou ter solicitado à Polícia Civil uma cópia do procedimento, buscando esclarecer se a investigação foi formal ou informal. “Queremos entender se após a denúncia, houve uma verificação preliminar devidamente registrada”, disse Trindade.
Parlamentares do grupo político de João Campos também demonstraram descontentamento. A deputada federal Maria Arraes (Solidariedade), vice-líder do governo Lula na Câmara, chamou a conduta da Polícia Civil de “inadmissível”, referindo-se ao caso como uma prática de espionagem. O deputado Sileno Guedes, líder do PSB na Assembleia Legislativa de Pernambuco, fez eco ao descontentamento, acusando a polícia de ser utilizada para monitorar adversários políticos.

