Queda nos Preços da Cesta Básica em Maceió
A cidade de Maceió, capital de Alagoas, observou uma diminuição de 3,18% no valor da cesta básica de alimentos entre julho e dezembro de 2025. O preço da cesta caiu de R$ 621,74 para R$ 589,69. Apesar de Maceió ter registrado uma das menores reduções do Nordeste, a cidade se destacou por exigir menos horas de trabalho para a aquisição da cesta básica, ocupando a segunda posição nesse aspecto na região.
Os dados são provenientes da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, conduzida pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A divulgação ocorreu na última terça-feira (20), revelando as variações de preços em todas as 27 capitais do Brasil.
Entre as capitais analisadas, a maior queda ocorreu em Boa Vista (RR), onde foi registrada uma redução de 9,08%. No Nordeste, Fortaleza (CE) liderou com uma diminuição de 7,90%. Brasília (DF), em destaque no Centro-Oeste, apresentou uma queda de 7,65%, enquanto Florianópolis (SC) no Sul teve um recuo de 7,67%. Já no Sudeste, Vitória (ES) viu uma diminuição de 7,05% nos preços.
Aumento do Tempo de Trabalho Necessário
Apesar da queda nos preços, a pesquisa indica um aumento no tempo médio de trabalho necessário para a aquisição da cesta básica. Em dezembro de 2025, o trabalhador necessitou, em média, de 98 horas e 41 minutos para comprar os alimentos, o que representa um leve aumento em relação ao mês anterior, quando o tempo registrado era de 98 horas e 31 minutos.
No caso específico de Maceió, o tempo de trabalho para adquirir a cesta básica ficou em 85 horas e 28 minutos. Esse número coloca a capital alagoana na segunda posição do Nordeste, atrás de Aracajú (SE), onde o tempo médio é de 78 horas e 11 minutos.
Perspectivas e Análise Econômica
O economista Fábio Leão comenta que a recente queda nos preços não significa um alívio significativo no orçamento da população local. “Essa diminuição é mais um ‘respiro’ do que uma real melhora no poder de compra do maceioense. Apesar do aumento do salário mínimo, que agora está em R$ 1.621,00, a relação entre os rendimentos e o custo da cesta básica em Maceió continua preocupante. Para uma família que vive com um salário mínimo líquido, cerca de 38% a 40% do orçamento é destinado à cesta básica”, ressalta.
Em Maceió, assim como em outras cidades, alguns itens foram responsáveis pela queda nos preços da cesta. O tomate teve a maior redução, com uma queda de 21,84%, seguido pelo arroz, que caiu 17,76%, e o açúcar, que apresentou uma diminuição de 7,44%. Outros produtos, como a banana e o café, também tiveram seus preços reduzidos em 7,17% e 3,56%, respectivamente.
O presidente da Conab, Edegar Pretto, atribui a queda nos preços à política agrícola implementada pelo governo federal. “Esse movimento de redução nos preços é um reflexo dos esforços do Governo do Brasil em investir no setor agropecuário, visando aumentar a produção de alimentos para atender ao consumo interno”, destacou, mencionando o Plano Safra como uma das iniciativas de sucesso nesse contexto.
Expectativas para o Futuro
Para o próximo semestre, as previsões apontam para uma estabilidade nos preços, desde que não ocorram contratempos na produção ou na cadeia de abastecimento. O economista Jarpa Aramis alerta que diversos fatores precisam ser considerados. “A tendência é pela manutenção dos preços atuais, a menos que haja um evento climático adverso ou alguma questão específica que possa impactar a oferta de determinados produtos”, finaliza.

