Iniciativas de Reparação Coletiva no Contexto Socioambiental
O ano de 2025 trouxe avanços significativos em escuta e participação social através do Programa Nosso Chão, Nossa História. Este programa visa desenvolver projetos de reparação coletiva e cuidado psicossocial, beneficiando aqueles afetados pelo desastre socioambiental em Maceió. No total, 13 projetos da primeira fase foram implementados, enquanto seis editais da segunda geração foram lançados, resultando na execução de oito projetos e na assinatura de quatro novas iniciativas.
As ações são coordenadas pelo Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE), que desempenha um papel fundamental na elaboração e execução dos editais, garantindo que os recursos sejam utilizados com responsabilidade e alinhados às necessidades da população afetada.
Novas Chamadas Públicas e Ações em Saúde Mental
Em junho, o programa deu início à segunda geração de chamadas públicas, concentrando-se inicialmente em Saúde Mental Comunitária e Pesquisa na área. Na Saúde Mental Comunitária, foram selecionadas organizações como o Instituto de Preservação dos Direitos Humanos e Preservação Ambiental – Vale do Sol, e a Associação da Criança e do Adolescente da Chã de Bebedouro. Para a pesquisa, a Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa em Alagoas (Fundepes), vinculada à Universidade Federal de Alagoas, foi a escolhida.
Em agosto, o programa expandiu a diversidade temática com novos editais voltados para cultura e geração de renda, destacando projetos como o Calendário Cultural, Memória e Resistência, e o Apoio à Cultura Autossustentável. Essas iniciativas não apenas promovem a cultura local, mas também visam a recuperação da autoestima e do pertencimento da comunidade atingida.
A Importância da Escuta Comunitária
Um aspecto crucial do programa foi a campanha Ecoa, que incentivou a população a expressar suas preocupações sobre os danos morais decorrentes do desastre. Através de interações via WhatsApp, os moradores puderam se comunicar com um canal especialmente criado para isso, promovendo uma escuta ativa e contínua. Mobilizadores locais ajudaram a identificar pessoas deslocadas e a ampliar o alcance da campanha.
“A escuta e a participação são fundamentais para o programa. As vozes que se manifestam por meio da Ecoa nos ajudam a moldar a direção das futuras ações de reparação”, afirma Dilma de Carvalho, presidente do CGDE. Os resultados dessa campanha devem ser divulgados em breve, e as informações coletadas serão usadas para estruturar novos projetos de reparação coletiva.
Transparência e Próximos Passos
O Programa Nosso Chão, Nossa História é pautado pela transparência, mantendo canais de comunicação abertos com a comunidade. A população pode entrar em contato diretamente pelo telefone ou pelo e-mail do CGDE, além de acompanhar as novidades por meio do site oficial e redes sociais.
No próximo ano, o programa pretende lançar novas gerações de editais, cada vez mais diversificados e focados em iniciativas que promovam a reparação e a reconstrução de laços comunitários. Bernardo Bahia, gerente do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), ressalta a importância da escuta no processo de identificação de demandas prioritárias para futuras ações de reparação, reforçando o compromisso do programa com as necessidades da população.
Sobre o Programa
O Nosso Chão, Nossa História surge de uma ação civil pública do Ministério Público Federal de Alagoas, que responsabilizou a Braskem pela reparação dos danos decorrentes do afundamento do solo em cinco bairros de Maceió. Os projetos são definidos pelo CGDE, composto por representantes da sociedade civil e de instituições públicas, e a execução das ações é feita pelo UNOPS, com um investimento estimado de R$150 milhões ao longo de quatro anos, direcionados à reparação de danos morais coletivos.

