Mandados de busca e apreensão no Iprev de Maceió
A Polícia Federal realizou uma operação no Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) para investigar possíveis irregularidades envolvendo investimentos ligados ao Banco Master. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu nesta segunda-feira (10) como parte da Operação Compliance Zero. A Controladoria-Geral da União (CGU) também participou da ação, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão relacionados a suspeitas de gestão fraudulenta.
Detalhes da investigação e suspeitas
Entre os investigados estão o ex-presidente do Iprev, Ronnie Mota, e o ex-coordenador-geral Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, cujas defesas não foram localizadas até o momento. A apuração foca em duas aplicações feitas nos anos de 2023 e 2024, que somaram R$ 97 milhões. O objetivo é esclarecer como ocorreram o processo de credenciamento, a cotação, a análise de risco, a governança e a tomada de decisão antes desses investimentos. Naquele período, Maceió era governada pelo prefeito JHC (PSDB), hoje candidato ao Governo de Alagoas.
O ministro Mendonça apontou como principal suspeita o possível direcionamento dos investimentos, com exposição excessiva do patrimônio previdenciário a ativos considerados de alto risco e baixa liquidez. Segundo ele, as autorizações para aplicação e resgate apresentavam justificativas genéricas, sem estudos comparativos, análise de risco de crédito ou avaliação adequada da liquidez e cláusulas contratuais, favorecendo o Banco Master.
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Credenciamento formal e ausência de avaliação rigorosa
Outro aspecto que reforça a suspeita de gestão fraudulenta é que o credenciamento do Banco Master junto ao Iprev teria sido apenas formal, sem uma avaliação aprofundada da solidez patrimonial, histórico operacional ou riscos reputacionais da instituição financeira. A Polícia Federal destacou que, em dezembro de 2023, quando ocorreu o primeiro aporte, o banco não constava na lista oficial do Ministério da Previdência Social de instituições habilitadas para receber recursos de regimes próprios, tendo sido incluído apenas em 2024.
Além disso, outras instituições financeiras mais robustas não foram credenciadas para competir em condições iguais, o que agrava as suspeitas de favorecimento.
Posição oficial do Iprev e contexto da investigação
O Iprev, por meio de nota, afirmou estar colaborando integralmente com as investigações, fornecendo todas as informações solicitadas. O instituto destacou que os investimentos seguiram os ritos legais e administrativos e ressaltou o crescimento do seu patrimônio, que passou de cerca de R$ 400 milhões em 2021 para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, garantindo a capacidade de pagamento aos aposentados e pensionistas.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Dados do Ministério da Previdência Social indicam que os R$ 97 milhões foram aplicados em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, o que motivou inicialmente uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Alagoas. Na época, o órgão considerou que o processo seria uma oportunidade para comprovar a regularidade dos investimentos realizados pelo instituto.

